Relatório Mensal Portugal – Maio 2018

Valor das operações de fusões e aquisições cresce em Portugal alavancado pela OPA da EDP

  • Volume financeiro dos investimentos cresce devido à OPA da EDP
  • Maio fecha com 19 operações
  • Investimentos de venture capital em alta de 148% no ano

O volume financeiro de fusões e aquisições no mercado transacional português somou 9,2 mil milhões de euros em maio, salto que pode ser atribuído quase em sua totalidade à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges sobre a EDP – Energias de Portugal. A operação da EDP, avaliada em 9,1 mil milhões de euros, levou o mês de maio a fechar com um resultado positivo, apesar do pouco dinamismo apresentado nas transações do período.

Esse mapeamento está disponível no Relatório Mensal do Transactional Track Record (TTR), que registou 19 operações em Portugal no mês. Desde o início de 2018, o país já soma 113 negócios anunciados, que alcançaram valor total superior a € 12,3 mil milhões, crescimento de 88,4% no valor das operações em comparação ao mesmo intervalo de 2017.

O setor Imobiliário segue a tendência iniciada em 2015 e se mantém como o de maior movimentação no ano, apesar de apresentar queda de 21% em 2018.  No mês foram seis operações, enquanto os setores Elétrico e Financeiro e Seguros tiveram três operações cada.

Cross-border

O setor Imobiliário também foi o alvo preferencial dos investidores estrangeiros, especialmente dos vizinhos ibéricos que realizaram cinco operações no segmento, incluindo a aquisição pela Atitlan Grupo de um complexo de escritório comerciais do Millennium BCP por aproximadamente 12 milhões de euros no Porto, em maio.

O segmento Tecnologia, junto com Internet, também esteve na mira do investimento internacional. O número de aquisições estrangeiras nos dois subsetores assinalou crescimento de 42,8%.

O mercado português totaliza 47 operações de cross-border inbound no ano. Além das operações no setor Imobiliário, as empresas espanholas realizaram outras nove operações em território português, somando 1,5 mil milhões de euros investidos. Em seguida, destacam-se os investimentos de empresas de origem francesa, que já realizaram oito operações no país no ano, com investimentos que agregaram 305 milhões de euros.

 

Private Equity e Venture Capital

No cenário de venture capital, 2018 segue em alta mesmo com apenas duas operações tendo sido registadas em maio. As rondas de investimento das startups THE HUUB, que recebeu aporte fundo Pathena, e a Dashdash, que recebeu uma injeção de capital em uma ronda Série A liderada pela norte-americana Accel Partners, com participação da Cherry Ventures, da Atlantic Labs e de investidores particulares, movimentaram aproximadamente 10 milhões de euros.

Os fundos de venture capital favoreceram no ano os segmentos de Tecnologia (9) e Internet (5). O setor de Turismo, Hotelaria e Restaurantes também tem estado no radar, foram três operações desde o início do ano.

Os investimentos de private equity continuam com um ano bastante discreto. Em maio foram apenas duas transações anunciadas, porém sem valores revelados.

Transação do Mês

A transação destacada pelo TTR no mês de maio foi a conclusão da aquisição do edifício Liberdade 108 pelo BMO Real Estate Partners, operação que marca a entrada do grupo como investidor no mercado imobiliário de Portugal. O imóvel, que possui uma área total de 2104m2 e está situado na Avenida da Liberdade, foi adquirido por aproximadamente 15 milhões de euros. A BMO Real Estate Partners foi assessorada na transação pela Garrigues Portugal.

Os dados completos da transação estão disponíveis no site do TTR.

 

Rankings – Assessoria Financeira e Jurídica

O Ranking TTR de assessores jurídicos de maio de 2018 é liderado pelo Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, com € 9,4 mil milhões, seguido de Serra Lopes, Cortes Martins Advogados e Linklaters Portugal, ambos com 9,1 mil milhões.

Bank of America e Millennium BCP lideram o Ranking de Assessores Financeiros, seguidos pelo CaixaBank Corporate Finance.

 

Relatório Mensal Brasil – Maio 2018

Fusões e aquisições em queda de 40,6% no Brasil em maio

Mês fecha com 54 transações

No ano, crescimento de 32,24% no total investido, R$ 92,8 bilhões

O mercado brasileiro de fusões e aquisições recuou pelo segundo mês consecutivo em maio, segundo o relatório mensal da Transactional Track Record (TTR), em parceria com  LexisNexis e TozziniFreire Advogados. O número de operações sofreu queda de 40,6% em comparação com o mesmo período do ano passado, para 54. Destas, 18 tiveram seus valores revelados, somando R$ 4,2 bilhões, uma queda de 65,6% comparada com o mesmo mês no ano anterior.

No ano, o TTR já registrou 377 anúncios de operações de compra e venda de participação envolvendo empresas brasileiras, queda de 15,47% ante o mesmo período de 2017. Das operações de 2018, 157 tiveram seus valores divulgados, somando R$ 92,8 bilhões, crescimento de 32,2% sobre os números do ano passado.

O segmento de Tecnologia continua sendo o setor com maior número de fusões e aquisições entre janeiro e maio, com 79 operações, alta de 8% em comparação ao ano anterior. Na sequência, aparecem os setores Financeiro e Seguros, com 42, queda de 11%, e Saúde, Higiene e Estética, com 35 operações, declínio de 17%.

 

Operações cross-border

Os Estados Unidos foram o país com o maior número de aquisições no mercado brasileiro desde o início do ano, com 32 operações, acumulando o total de R$ 3,2 bilhões investidos no país.  Porém, o Japão foi o país que mais aportou investimentos no Brasil em 2018, totalizando mais de R$ 3,7 bilhões. A China ocupa a terceira posição em termos de valores, alcançando R$1,9 bilhões.

As aquisições estrangeiras no subsetor de Tecnologia e Internet permanecem como as mais atrativas para os investidores internacionais, com crescimento de 23,8%. Enquanto as empresas brasileiras fizeram 14 aquisições no mercado externo.

 

Private Equity e Venture Capital

Nos cenários de private equity o número de operações caiu 80%, com um volume financeiro de R$ 100 milhões, mantendo a tendência de queda nos investimentos da modalidade em 2018.

Queda também nos investimentos de venture capital no mês. As 8 operações registradas marcam um recuo de 43% em comparação ao mesmo intervalo de 2017. Em termos de valores, as quatro operações que tiveram seus valores revelados totalizaram R$ 30 milhões investidos.  Porém, no ano, o total investido segue em alta, com crescimento de 17% face ao ano anterior, com R$ 1,5 bilhões investidos.

 

Transação TTR do Mês

A conclusão da aquisição da Piraquê pela fabricante de alimentos M. Dias Branco em uma operação avaliada em R$ 1,5 bilhão foi escolhida pelo TTR como o destaque do mês. A aquisição faz parte da estratégia comercial da M. Dias Branco para  acelerar o crescimento nas regiões Sul e Sudeste do país.

A Piraquê recebeu assessoria financeira na transação do Vinci Partners e do Banco Itaú BBA, e legal do FreitesLeite Advogados, enquanto a M. Dias Branco foi assistida pelo TozziniFreire Advogados. O escritório L. O. Baptista Advogados atuou como assessor dos vendedores.

Todos os detalhes da transação estão disponíveis no site do TTR.

 

Rankings Financeiros e Jurídicos

O ranking de assessores financeiros por valor de transações do TTR é liderado pelo Itaú BBA, com R$ 54,1 bilhões, seguido por Riza Capital, R$ 41,8 bilhões, e Morgan Stanley, R$ 40 bilhões.

 

O líder entre os assessores jurídicos é o escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, com R$ 49 bilhões, seguido por Cescon, Barrieu Flesch & Barreto Advogados, R$ 46,7 bilhões, e TozziniFreire Advogados, R$ 39,3 bilhões.

 

TTR Entrevista: Pablo Perezalonso, socio de Ritch Mueller

 

Entrevista con Pablo Perezalonso, miembro de Ritch Mueller desde 1994 y socio desde 2000. Fue nombrado socio administrador en el 2017. Perezalonso se especializa en operaciones bursátiles, operaciones internacionales bancarias y de financiamiento, temas regulatorios, derivados y mercados de capitales.

A grandes rasgos ¿Cuál es su valoración general respecto a la marcha del mercado de M&A mexicano durante los primeros meses del año?

Los primeros meses del año han sido bastante buenos considerando las expectativas por el año electoral, la renegociación de NAFTA y los efectos de las políticas de Trump en la economía mexicana. Es pronto para tener conocimiento de las operaciones registradas hasta mayo, pero según fuentes consultadas, en los primeros 3 meses del año, se registraron 72 fusiones y adquisiciones, contra 61 durante el mismo periodo en el año 2017. Es decir, un incremento del 18%.

 

Según nuestros registros, el sector financiero y de seguros ha ganado protagonismo en cuanto al volumen de sus operaciones de M&A en comparación con las cifras del mismo periodo en ejercicios anteriores. ¿A qué cree que se debe este incremento? ¿Opina que manifiesta una tendencia?

No consideramos que se deba a algo en particular. Si bien 2017 no fue un año particularmente con muchas transacciones en este sector, 2016 sí lo fue, fue la segunda mayor industria en número de operaciones.  Con la nueva Ley para Regular a las Instituciones de Tecnología Financiera (Ley Fintech),  consideramos que veremos más inversiones en empresas de tecnología en este sector.  Hemos visto algunas operaciones de venta de bancos extranjeros, pero entendemos que esto se debe a temas de organización interna y no a la situación política y económica.

 

Otro de los sectores más activos en el mercado mexicano es el inmobiliario ¿Podría brindarnos una breve previsión del funcionamiento de dicho sector en 2018?

En el sector inmobiliario empezamos a ver que ciertos clientes están tomando una posición más conservadora respecto de nuevos proyectos hasta que pasen las elecciones y se defina la negociación de NAFTA.  En cuanto a proyectos que ya están en marcha seguimos viendo un gran dinamismo en el sector de vivienda y en la parte de logística.  En cuando a la parte comercial sigue habiendo mucha actividad aunque en algunos mercados ya estamos viendo una desaceleración en la parte comercial.  Por lo que respecta a la parte de oficinas, sobre todo en la Ciudad de México, empezamos a observar un mercado un poco saturado y donde la absorción es más lenta.

 

En lo que llevamos de año, según nuestros datos, México parece reflejar un creciente interés por las operaciones de inversión en el extranjero. ¿Cuáles cree que pueden ser los motivos? ¿Cree que será una pauta que se mantendrá a lo largo del año?

No lo hemos notado particularmente, pero seguramente se debe a inversionistas buscando seguridad en tanto se define la situación política y la renegociación de NAFTA.

 

En último lugar, en cuanto a las operaciones de venture capital en el país, ¿cuál cree que es la situación actual de esta área de mercado en México? ¿Qué pronóstico le daría para este ejercicio?

Hemos participado en bastantes operaciones en estos primeros meses, pero también hemos visto como varios proyectos están a la espera de que se resuelva la situación política y económica.

Entrevista TTR: Juan Ignacio Lopez del Alcazar, socio de EY en España

Entrevista con Juan Ignacio Lopez del Alcazar, socio responsable de M&A y del sector Private Equity para EY en España. 

 

¿Cómo definiría la actividad del mercado transaccional español en lo que va de año? ¿Considera que 2018 está siendo un año positivo en términos de M&A?

 Tras un excelente año 2017 en cuanto al mercado de transacciones en España, nuestro reciente estudio de Capital Confidence Barometer muestra que los corporates y sponsors mantienen su confianza en el mercado español transaccional para 2018, con el 56% de los entrevistados apostando por un crecimiento de su actividad de M&A y el 44% restante manteniendo los niveles del año anterior.

En general, se desprende una visión común de crecimiento sostenido y consolidación de la fuerte actividad registrada en 2017, y aunque los datos en lo que va de año comparados con el mismo periodo del ejercicio anterior son algo más bajos, habría que normalizar el efecto de algunos “megadeals” del año pasado.

Nuestra impresión es que 2018 va a consolidar la tendencia de un mercado sólido de M&A que ya vimos en 2017. En este sentido, EY ha asesorado en más de 30 operaciones en los cinco primeros meses del año y contamos con un pipeline muy interesante para el resto del año.

 

Dentro del mercado de M&A, es usted experto en el segmento de private equity, que por el momento en España registra una actividad algo menor a la de 2017, según los datos de TTR. ¿Existen factores explicativos de esta circunstancia o se trata de una situación meramente coyuntural?

Es cierto que el año 2017 ha sido un año record para el private equity (PE) en nuestro país. Se batieron los niveles históricos tanto de volumen de inversión como de desinversión y número de operaciones, con crecimientos a doble dígito. Este año el mercado sigue en plena expansión, con una gran actividad tanto en megadeals: Ufinet, Cirsa, Gas Natural… como en operaciones en el middle market, en la que el papel del private equity nacional como inversor facilitador del crecimiento se ha convertido ya en una tendencia sostenida.

En cuanto al hecho de que estos primeros meses haya habido o no menor número de operaciones con respecto al mismo periodo del año anterior, no podría concluir con una razón determinada, ya que no lo achacaría a circunstancias económicas ni de mercado, en la que la confianza y perspectivas son iguales o mejores que para el año anterior, sino más bien a una cuestión de timing. Es difícil hacer una comparativa en este tipo de actividad para periodos tan cortos de tiempo. En general, no esperamos menor actividad este año, sino más bien mantener y/o mejorar los niveles del año anterior y en este sentido, los datos del primer trimestre de ASCRI arrojan un crecimiento del 9-10% respecto al volumen invertido en el mismo periodo del año anterior.

Nuestra impresión es que la inversión del PE va a crecer en 2018 respecto del ejercicio anterior, en función de las operaciones que vemos en marcha, el apetito que existe por España y del dry-powder de los fondos nacionales y paneuropeos.

 

En lo que va de año EY ha asesorado en numerosas inversiones de private equity, donde habitualmente la empresa target era española. ¿Tienen estas compañías unas características generales similares para despertar el interés de firmas de private equity? ¿Qué sectores considera usted que son los más demandados por este tipo de inversores? 

Las compañías que despiertan el mayor interés de los private equities reúnen una serie de características comunes: equipo directivo con sólido track record y compromiso con el proyecto, potencial de crecimiento, negocios internacionalizados, determinado tamaño en términos de facturación y EBITDA, y alta conversión del EBITDA en caja (entre otros). Estas compañías son las joyas de la corona, pero el verdadero arte de los mejores Private Equities está en encontrar compañías no obvias a las que ellos pueden aportar las mejoras que necesitan.

Los fondos, en general, son agnósticos en cuanto a sectores y en todos los sectores se pueden encontrar compañías valiosas. Si tuviéramos que mencionar algunos sectores donde estamos viendo una actividad sobresaliente, mencionaríamos el sector alimentación (tanto primario como manufacturero), ingredientes y aditivos para pharma y alimentación, energía, telecomunicaciones, negocios industriales B2B…

 

Aunque en menor medida, EY también ha participado este año en operaciones de desinversión por parte de firmas de private equity. En términos generales, ¿existe una duración media clara de permanencia en el accionariado de las participadas o varía mucho en función de cada caso? ¿qué factores entran en juego para tomar la decisión de llevar a cabo la desinversión?

Los fondos de PE tienen una estructura muy similar en cuanto al mandato de sus LPs para invertir, y por ello los tiempos de permanencia son bastante homogéneos en el entorno de los 4-5 años. Por supuesto con excepciones tanto hacia un lado como el otro: si la compañía crece por encima de las previsiones iniciales y/o un potencial comprador se aproxima proactivamente con intención de comprar, es previsible una desinversión anticipada. Por el contrario, en casos en que el performance de la compañía no es el esperado, o bien el private equity entiende que puede generar más valor extendiendo su permanencia, se alargará el periodo de inversión e incluso se planteará la opción de hacer un roll-over al siguiente fondo o permanecer como accionista una vez haya vendido la mayoría a otro fondo. Todo está ligado con maximizar el retorno.

DealMaker Q&A

TTR DealMaker Q&A with

 TozziniFreire Advogados Partner

Francisco Eumene Machado de Oliveira Neto

How would you describe the performance of the Brazilian M&A market so far in 2018?

We had a very positive outcome so far this year. After years observing transactions involving assets of companies in financial difficulty (distressed assets) we are moving forward into a more stable scenario, where solid companies are merging in order to grow in size and benefit from synergy. We can see that in some recently disclosed M&A transactions, such as Fibria-Suzano, M. Dias Branco-Piraquê, as well as the merger of Somos with Kroton.

 What can we expect from the M&A market for the remainder of a year that still promises political and economic instability?

A busier first semester was expected. There still are important ongoing M&A operations, which should increase the figures for the coming months. The market should seize this window of opportunity while it lasts.

As for the rest of the year, political and economic instability will set the pace for both M&A and capital markets operations. The market should be defined not only by local uncertainties, but also by external ones.   

There were high expectations around the Capital Market for the country in 2018, after what was considered a year of recovery in 2017. In your point of view, what evaluation can be made of the Brazilian Capital Market at that beginning of year? And what are the expectations now?

The capital markets have yielded good results when it comes to fixed-income instruments. After a slow start, last month we saw a few IPOs coming through, such as Notre Dame’s, HappyVida’s and Banco Inter’s, which could be a sign of improvement.

Considering an unstable international scenario and the Brazilian elections taking place in October, we do expect things to cool down in the second semester comparing to the first, as caution shall prevail.

TozziniFreire has advised several Venture Capital operations, including investments in fintechs. How do you see this market today in terms of challenges and what does the rest of the may look like?

Venture capital operations have gained strength and should become increasingly common. This consolidation process is a natural next step following the establishment of numerous fintechs over the past years, and it is inherent to the very own dynamics of the sector.

The Fibria/Suzano deal is certainly one of the most outstanding operations of the year. What were the biggest challenges in advising such a complex transaction that combined the operations of the two companies, thatresulted in the control of 49% of the world’s pulp market?

The transaction involving Fibria and Suzano was highly complex due to the nature of the companies. We were dealing with two major publicly-held competing companies from the pulp industry. Secrecy and expedition were critical to the operation’s success.


Entrevista com Francisco Eumene Machado de Oliveira Neto, sócio do TozziniFreire Advogados.

TTR – Fazendo um balanço dos quatro primeiros meses do ano, como avalia a performance do mercado brasileiro de M&A até o momento?

F.E.M. – O balanço deste início de ano é bastante positivo. Depois de termos visto nos últimos anos operações com ativos de grupos econômicos em situação financeira difícil (distressed assets), estamos passando para um movimento de mais normalidade com empresas sólidas se unindo para ganhar escala e aproveitar sinergias. Reflexo disso são as operações de M&A já divulgadas, como a da Fibria e Suzano, a da M. Dias Branco e Piraquê.

TTR – Quais as perspectivas para o mercado de M&A em 2018 em um contexto ainda de instabilidade política e econômica?

F.E.M. – Já se esperava um primeiro semestre mais movimentado que o segundo. Para os próximos meses, ainda devemos ter outras operações de M&A relevantes que estão em andamento e que devem fazer esses números aumentarem. O mercado deve aproveitar enquanto a janela ainda está aberta. Para o restante do ano, a instabilidade política e econômica deve ditar o ritmo das operações tanto de M&A como de mercado de capitais. Não só as instabilidades locais, mas as externas também deverão balizar o mercado.

TTR – Havia uma grande expectativa em torno da área de mercado de capitais para o país em 2018, após o que foi considerado um ano de retomada em 2017. Do seu ponto
de vista, qual a avaliação que pode ser feita do Mercado de Capitais brasileiro nesse início de ano? E quais as expectativas agora?

F.E.M. – O mercado de capitais também tem apresentado bons números no que se refere às captações com base em instrumentos de renda fixa. Após um início fraco, no último mês, vimos alguns IPOs saindo, como os da Notre Dame, HappyVida e Banco Inter, que podem trazer alguma indicação de melhora. Estamos vendo ainda um cenário externo um pouco instável e, no segundo semestre, teremos eleições no país; assim as expectativas, como me referi acima, são de um segundo semestre mais arrefecido em relação ao primeiro, em que a cautela deverá prevalecer.

TTR – TozziniFreire tem assessorado diversos clientes em operações de Venture Capital, incluindo investimentos realizados em fintechs. Como vê esse mercado hoje em termos de desafios e o que se pode
esperar para o restante do ano?

F.E.M. – As operações de venture capital têm se intensificado e devem ser cada vez mais frequentes. O processo de consolidação é natural depois do surgimento de várias fintechs ao longo dos anos e da própria dinâmica desse segmento.

TTR – A aquisição da Fibria pela Suzano é, certamente, uma das operações de maior destaque do ano. Considerando sua atuação e de TozziniFreire, quais foram os maiores
desafios ao atuar em uma transação tão complexa que combinou as operações das duas companhias, e que resultará no controle de 49% do mercado mundial de celulose.

F.E.M. – A operação da Fibria com a Suzano foi complexa pelas características das empresas. Estávamos lidando com duas grandes empresas do setor de celulose, competidoras entre si e ambas empresas abertas. O sigilo e a velocidade foram fundamentais para o sucesso da operação.