Entrevista com José Diogo Horta Osório, sócio da firma Cuatrecasas em Portugal

Entrevista com José Diogo Horta Osório, coordenador do departamento de Direito Societário da Cuatrecasas em Portugal, sobre o balanço do mercado de M&A em Portugal em 2017.

 

Até novembro de 2017, houve em Portugal um aumento relativamente modesto no número de transações, mas expressivo nos valores envolvidos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, qual o seu balanço da performance do mercado português de fusões e aquisições em comparação a 2016?

Efectivamente em 2017 – dados de Novembro – verificou-se um aumento modesto no número de transacções, todavia, e esse é um dado mais importante, em 2017 constata-se a concretização de um crescimento sustentado e duradouro do mercado de fusões e aquisições em Portugal. Trata-se agora de consolidar este crescimento sustentado e estamos francamente optimistas de que em 2018 se irá verificar esta tendência de crescimento sustentado. Naturalmente, esta tendência terá maior incidência em sectores como energia, tecnologia, turismo, real estate e retail.

 

O senhor tem uma atuação destacada em operações no setore de transportes. Assessorou esse ano a Barraqueiro Transportes na venda da Tranporta para a CTT e na compra da Lisboat, por exemplo.  É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no setor? Quais são as tendências para 2018?

O sector dos transportes rodoviários de passageiros sofreu e ainda vai sofrer transformações por força fundamentalmente do Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de passageiros, aprovado pela Lei n.º 52/2005, de 9 de Junho. Estou convicto de que se vai assistir a um processo de consolidação no sector, o que, por seu turno, irá imprimir uma nova tendência no mercado de fusões e aquisições neste sector. As operações que refere, no entanto, estão fora do sector que referi, pois uma insere-se no sector de transporte de mercadorias e a outra na actividade de transporte turístico de “sightseeing”. As tendências para 2018 neste sector, como referi anteriormente, assentarão no necessário processo de consolidação empresarial para fazer face aos concursos públicos do serviço público de transporte de passageiros e no crescimento de aquisições no sub-sector do turismo.

 

Em 2017, o setor de Saúde, Higiene e Estética foi, até novembro, o mais ativo em transações de Private Equity, registrando um aumento de 500% em comparação ao mesmo período de 2017.  Quais são as condições do mercado hoje que favorecem ou explicam essas movimentações?

O sector de saúde, higiene e estética foi de facto um dos sectores mais activos em transacções private equity, o qual se baseia sobretudo no comportamento económico-financeiro francamente positivo das empresas target e nas estratégias dos players neste mercado de private equity do que propriamente numa tendência ou em condições específicas do respectivo mercado. Naturalmente que a disponibilidade dos bancos para financiar operações em sectores maduros, com estabilidade dos proveitos e de “ebitdas” normalmente positivos auxiliaram este aumento inusitado de transacções neste específico sector.

 

Quais transações destacaria em termos de importância e complexidade esse ano, sejam as que tenham atuado diretamente ou que contaram com a participação do Cuatrecasas?

Para além das transacções que referiu no sector dos transportes, destacaria pela sua complexidade e importância as aquisições da Vimeca, sociedade concessionária de carreiras urbanas e interurbanas na área ocidental de Lisboa, na qual assessorámos o comprador, da aquisição da Gascan pelo fundo de private equity Artá Capital e a venda da Probos ao grupo Surteco pela Alantra Capital.

 

Acredita que em 2018 possa ocorrer uma intensificação das operações de M&A? Quais cenários ou tendências já podem ser identificados, e quais setores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Estou pessoalmente convicto de que 2018 será mais um ano de consolidação do crescimento sustentado do mercado de fusões e aquisições em Portugal que se iniciou em 2016. Linhas de financiamento bancário disponíveis, taxas de juros muito reduzidas, relativa estabilidade legislativa e fiscal, equilíbrio das contas públicas e players internacionais com apetite sobre certos activos em Portugal dão sinais claros de que assistiremos a mais um bom ano de transacções de empresas. Os sectores com maior potencial de crescimento continuarão a ser real estate e retail, turismo e energia.

Portugal um aumento relativamente modesto no número de transações, mas expressivo nos valores envolvidos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, qual o seu balanço da performance do mercado português de fusões e aquisições em comparação a 2016?

Efectivamente em 2017 – dados de Novembro – verificou-se um aumento modesto no número de transacções, todavia, e esse é um dado mais importante, em 2017 constata-se a concretização de um crescimento sustentado e duradouro do mercado de fusões e aquisições em Portugal. Trata-se agora de consolidar este crescimento sustentado e estamos francamente optimistas de que em 2018 se irá verificar esta tendência de crescimento sustentado. Naturalmente, esta tendência terá maior incidência em sectores como energia, tecnologia, turismo, real estate e retail.

 

O senhor tem uma atuação destacada em operações no setore de transportes. Assessorou esse ano a Barraqueiro Transportes na venda da Tranporta para a CTT e na compra da Lisboat, por exemplo.  É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no setor? Quais são as tendências para 2018?

O sector dos transportes rodoviários de passageiros sofreu e ainda vai sofrer transformações por força fundamentalmente do Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de passageiros, aprovado pela Lei n.º 52/2005, de 9 de Junho. Estou convicto de que se vai assistir a um processo de consolidação no sector, o que, por seu turno, irá imprimir uma nova tendência no mercado de fusões e aquisições neste sector. As operações que refere, no entanto, estão fora do sector que referi, pois uma insere-se no sector de transporte de mercadorias e a outra na actividade de transporte turístico de “sightseeing”. As tendências para 2018 neste sector, como referi anteriormente, assentarão no necessário processo de consolidação empresarial para fazer face aos concursos públicos do serviço público de transporte de passageiros e no crescimento de aquisições no sub-sector do turismo.

 

Em 2017, o setor de Saúde, Higiene e Estética foi, até novembro, o mais ativo em transações de Private Equity, registrando um aumento de 500% em comparação ao mesmo período de 2017.  Quais são as condições do mercado hoje que favorecem ou explicam essas movimentações?

O sector de saúde, higiene e estética foi de facto um dos sectores mais activos em transacções private equity, o qual se baseia sobretudo no comportamento económico-financeiro francamente positivo das empresas target e nas estratégias dos players neste mercado de private equity do que propriamente numa tendência ou em condições específicas do respectivo mercado. Naturalmente que a disponibilidade dos bancos para financiar operações em sectores maduros, com estabilidade dos proveitos e de “ebitdas” normalmente positivos auxiliaram este aumento inusitado de transacções neste específico sector.

 

Quais transações destacaria em termos de importância e complexidade esse ano, sejam as que tenham atuado diretamente ou que contaram com a participação do Cuatrecasas?

Para além das transacções que referiu no sector dos transportes, destacaria pela sua complexidade e importância as aquisições da Vimeca, sociedade concessionária de carreiras urbanas e interurbanas na área ocidental de Lisboa, na qual assessorámos o comprador, da aquisição da Gascan pelo fundo de private equity Artá Capital e a venda da Probos ao grupo Surteco pela Alantra Capital.

 

Acredita que em 2018 possa ocorrer uma intensificação das operações de M&A? Quais cenários ou tendências já podem ser identificados, e quais setores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Estou pessoalmente convicto de que 2018 será mais um ano de consolidação do crescimento sustentado do mercado de fusões e aquisições em Portugal que se iniciou em 2016. Linhas de financiamento bancário disponíveis, taxas de juros muito reduzidas, relativa estabilidade legislativa e fiscal, equilíbrio das contas públicas e players internacionais com apetite sobre certos activos em Portugal dão sinais claros de que assistiremos a mais um bom ano de transacções de empresas. Os sectores com maior potencial de crescimento continuarão a ser real estate e retail, turismo e energia.

Leia mais sobre as transações de José Diogo Horta Osório aqui. 

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José Diogo Horta Osório, head of the Cuatrecasas Corporate and Commercial Practice in Portugal, discusse the year in M&A in Portugal

 

By November 2017, the increase in the volume of transactions in Portugal was relatively modest, although significant in terms of the amounts involved, when compared with the same period last year. What is your evaluation of the performance of the mergers and acquisitions market in Portugal compared with 2016?

Indeed, in 2017 (based on data in November), there was only a slight increase in the number of transactions, although what is important is that 2017 saw steady and lasting growth in the mergers and acquisitions market in Portugal. Now there is a need to consolidate this steady growth, and, frankly, we are optimistic that we will see this sustained growth trend in 2018. Of course, this trend will have a greater impact on sectors such as the energy, technology, tourism, real estate and retail sectors.

 

You have played a notable role in transactions involving the transport sector. This year you advised Barraqueiro Transportes on the sale of Transporta to CTT and on the acquisition of Lisboat, for example. Have you noted any changes or innovations in recent years relating to the transactions performed in this sector? What trends do you foresee for 2018?

The road passenger transport sector has transformed and will continue to transform, mainly due to the Legal Regime for the Public Passenger Transport Service (Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de Passageiros) approved by Act 52/2005 of June 9. I am convinced that we are going to see a consolidation process in the sector, which will in turn lead to a new trend in the mergers and acquisitions market in this sector. The transactions you refer to, however, are outside the scope of the sector I mentioned, as one involved the goods transportation sector, and the other concerned tourist transportation for sightseeing. As I said, the trends for 2018 in this sector will center on a necessary process of business consolidation to be able to compete in public passenger transport service tenders, as well as on an increasing number of acquisitions in the tourism sub-sector.

 

By November 2017, health, hygiene and beauty was the most active sector in private equity transactions, recording an increase of 500% in comparison with the same period in 2016. What are the current market conditions favoring or explaining these movements?

The health, hygiene and beauty sector has been one of the most active sectors in the private equity market, mainly as a result of the positive economic and financial performance of the target companies and the strategies of the players in this private equity market, rather than any specific trend or conditions in the market. Of course, the willingness of banks to finance transactions in mature sectors showing earnings stability and EBITDAs that are usually positive will have helped to account for the exceptional increase in transactions in this sector.

 

Which of the transactions in which Cuatrecasas has been involved directly or has participated in have been noted for their significance and complexity this year?

As well as the deals in the transport sector referred to, I highlight the complexity and significance of the acquisition of Vimeca, holder of the urban and interurban bus route concessions in the western area of Lisbon, in which we advised the purchaser; Artá Capital private equity fund’s acquisition of Gascan; and Alantra Capital’s sale of Probos to the Surteco group.

 

Do you think M&A activity will intensify in 2018? What scenarios or trends can already be identified and, in your opinion, which sectors show greatest growth potential?

I am personally convinced that 2018 will be a year of consolidation of the sustained growth in the mergers and acquisitions market in Portugal that began in 2016. The availability of bank credit lines, very low interest rates, a relatively stable legislative and fiscal environment, balanced public sector accounts and international players with an appetite for certain assets in Portugal provide a clear indication that we are going to see another good year for corporate transactions. The sectors with greatest growth potential will continue to be real estate, retail, tourism and energy.

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Entrevista Rodrigo Delboni Teixeira, sócio do Lobo de Rizzo

Rodrigo Delboni Teixeira, sócio-diretor do Lobo de Rizzo Advogados, fala com o TTR sobre o mercado brasileiro de fusões e aquisições em 2017.

 

Como descreveria a performance do mercado brasileiro de M&A em 2017?  

Dadas as condições políticas e econômicos, entendo que foi um ano bastante positivo para o mercado de M&A. Pudemos notar a volta do interesse do investidor estrangeiro por ativos brasileiros e o próprio mercado de capitas experimentou retomada, com novas ofertas iniciais de ações por companhias brasileiras.

 

O senhor possui vasta experiência nos setores Alimentar, Transportes, Aviação e Logística e Educação, que estiveram entre os mais ativos do ano. Como vê as tendências e expectativas para esses setores em 2018? Até que ponto a instabilidade política brasileira tem influenciado os investimentos nessas indústrias?

Acredito que estes setores continuarão a atrair investimentos no próximo ano. Inegavelmente, a instabilidade política traz receios e refreia o ímpeto de alguns investidores, mas temos visto que, mesmo nestes anos mais difíceis, os grandes grupos internacionais continuam com seus olhos voltados ao Brasil. Estes grupos têm um horizonte de investimento de longo prazo e conhecem o potencial de um mercado de mais de 200 milhões de habitantes.

Fusões e Aquisições tem sido largamente utilizadas no setor de Educação como estratégia de crescimento e de expansão no cenário nacional, sendo um mercado que encontra-se aquecido, seguindo um movimento de consolidação no setor. É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no setor?

Houve um forte movimento de aquisições na última década no setor de ensino superior, com a criação de grandes grupos nacionais. Os setores de ensino de idiomas e sistemas de ensino para escolas também apresentaram forte movimento de transações. Acredito que, em setores mais consolidados, o foco das aquisições passe a ser mais em acréscimo de qualidade do que em crescimento propriamente dito. Não obstante, a área de Educação é muito ampla e devemos ver transações em outros setores. O setor de ensino fundamental e médio (colégios), por exemplo, deve atrair bastante atenção nos próximos anos.

Quais transações destacaria em termos de importância e complexidade esse ano, sejam as que tenham atuado diretamente ou que contaram com a participação do Lobo de Rizzo?

Eu destacaria as principais transações que acabamos divulgando no próprio TTR, como Odebrecht Transport,CargillBurger KingDöhlerState Power Investment (SPIC)CentrofloraThyssenkruppDHLPorta dos Fundos,ItaúsaPearson e Coca-Cola.

 

Quais são suas expectativas para o mercado de M&A brasileiro em 2018? Quais cenários ou tendências já podem ser identificados, e quais setores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Embora seja um ano de eleições, que traz mais incertezas aos investidores, espero que seja um ano positivo para o mercado de M&A no Brasil. As recentes notícias econômicas são mais animadoras, como queda da inflação e aumento da perspectiva de crescimento do PIB. Caso consigamos avançar com a reforma da previdência, o cenário para investimentos será ainda mais positivo. Ademais, como mencionado, há grandes grupos que olham o Brasil no médio e longo prazo e não deixam de aproveitar oportunidades de investimentos. Além dos setores já citados, acredito que o setor de saúde (não somente clínicas e hospitais, mas também atividades correlatas como distribuição de produtos e equipamentos médicos) pode surpreender positivamente. Este setor tornou-se mais aberto ao investidor estrangeiro recentemente e tem um grande potencial de crescimento e consolidação que, a meu ver, ainda não foi explorado em razão dos recentes anos de crise econômica.

 

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Rodrigo Delboni Teixeira, managing-partner at Lobo de Rizzo Advogados, talks to TTR abour the results of the M&A market in Brazil in 2017.

How would you describe the performance of the Brazilian M&A market in 2017?

Given the political and economic conditions, I understand it was a very positive year for the M&A market. We noticed renewed interest of foreign investors in Brazilian assets and the capital market itself is recovering, with new initial public offerings by Brazilian companies.

You have considerable experience in the industries of Food, Transportation, Aviation, Logistics and Education, which were among the most active industries this year. What are the trends and expectations for such industries in 2018? How much has the Brazilian political instability influenced investments in those industries?

I believe such industries will continue to attract investments next year. There is no denying that political instability causes concerns and holds back investors, but we have witnessed that, even in difficult years, large international groups are still interested in Brazil. Those groups have a long-term investment horizon and they know the potential of a market of more than 200 million inhabitants.

 

Mergers and acquisitions have been widely used in the Education sector as a growth and expansion strategy in the domestic scenario, seeing it is a booming market, which follows a consolidation trend in the industry. Is it possible to recognize changes or innovations in the past years regarding transactions in the industry?

There has been a strong acquisition trend in the last decade in the higher education sector, with the creation of large Brazilian groups. The language teaching sector and teaching systems for schools have also shown an increasing transaction trend. I believe that, in more consolidated industries, the focus of acquisitions will be increasingly aimed at quality instead of at growth itself. Nevertheless, the Education area is extremely wide and we should see transactions in other sectors. The primary and secondary school (high school) sectors, for example, should attract considerable attention in coming years.

 

Which transactions would you highlight in terms of importance and complexity this year, whether by having a direct role or by having the participation of Lobo de Rizzo?

I would highlight the main transactions we disclosed in the TTR, such as Odebrecht TransportCargillBurger KingDöhlerState Power Investment (SPIC)CentrofloraThyssenkruppDHLPorta dos FundosItaúsaPearson and Coca-Cola.

 

What are your expectations for the Brazilian M&A market in 2018? What scenarios or trends can already be identified, and which sectors have, in your opinion, the greatest potential for growth?

Although this is an election year, which brings more uncertainties to investors, I hope it will be a positive year for the Brazilian M&A market. Recent economic news stories are encouraging, such as the drop in inflation and promising outlook for GDP growth. If we are able to make progress with the pension reform, the investment outlook will be even more positive. Furthermore, as I have mentioned, there are large groups looking at Brazil in the medium and long term and they do not fail to seize investment opportunities. In addition to the industries already mentioned, I believe the health industry (not only health care facilities and hospitals, but also related activities such as distribution of medical products and equipment) may surprise us positively. This industry has become more open to foreign investors recently and has a large growth and consolidation potential that, in my opinion, has not been explored yet due to the recent years of economic crisis.

Leia sobre as transações de Rodrigo Dalboni Teixeira aqui.

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Entrevista con Roberto MacLean- Miranda & Amado Abogados (Es/En)

Roberto MacLean, socio del estudio Miranda & Amado.

Abogado por la Pontifica Universidad Católica del Perú con Maestría en Derecho por la Universidad de Nueva York. Socio de Miranda & Amado desde el año 1999. Tiene amplia experiencia en diversas transacciones corporativas, financieras y de mercados de capitales, principalmente en adquisiciones, financiamiento de proyectos y proyectos de infraestructura. 

Sr. MacLean, en primer lugar ¿podría ofrecernos una valoración general en cuanto a la marcha actual del mercado de M&A en Latinoamérica en comparación con ejercicios anteriores? 

Las cifras que dan los reportes de TTR a octubre parecen indicar que en cuanto a número de transacciones este podría ser igual o mayor al año anterior. Sin embargo, el valor en dólares es menor y viene bajando consistentemente en los últimos cuatro años.

Como profesional en el asesoramiento de fusiones y adquisiciones, ¿podría contarnos brevemente cuáles son los sectores que están experimentando en Perú mayores cambios en el volumen de sus transacciones y por qué?

Basados en la experiencia que hemos tenido en el estudio, los sectores más dinámicos han sido infraestructura, agricultura, el sector financiero, educación e inmobiliario.  El sector de infraestructura se explica por la crisis de las constructoras brasileñas y los problemas financieros de otras dos constructoras internacionales con proyectos importantes, así como el deseo de constructoras peruanas que buscan sobreponerse a la crisis coyuntural que esto ha generado.  El sector agrícola está activo debido a que Perú se ha convertido en un exportador importante de varios productos bien cotizados internacionalmente, lo cual ha generado una ola de adquisiciones y operaciones de private equity.  El sector financiero, educación e inmobiliario están reflejando un reacomodo de actores.

Como experto en el asesoramiento de proyectos que requieren financiación ¿podría explicarnos, a grandes rasgos, en qué consiste el proceso de las modalidades más empleadas para la obtención de crédito?   

En el caso peruano y de adquisiciones donde el adquirente es operador del negocio que ha adquirido o es un grupo empresarial consolidado, la fuente de financiamiento popular son los bonos.  Cuando el adquirente es un fondo de inversión éstos tienden a recurrir primero a deuda bancaria, que luego puede ser refinanciada por una emisión de bonos por parte de la empresa adquirida.

¿Cuáles son las principales barreras o dificultades a las que se enfrentan las empresas a la hora de solicitar dichos préstamos? 

Diría que la principal barrera en el caso peruano son las restricciones a la llamada asistencia financiera, que limita la capacidad de los adquirentes de utilizar los activos de la empresa adquirida para financiar la adquisición.  Por esta razón, el financiamiento de adquisiciones es más sencillo cuando se adquiere una empresa al 100% (o una mayoría muy grande y con muy pocos accionistas minoritarios) y sin deuda o muy poca deuda concentrada en uno o pocos acreedores.

En relación con la pregunta anterior ¿Cree que podría realizarse algún cambio legislativo que facilitase el acceso a este financiamiento para las empresas, teniendo en cuenta las condiciones que ahora mismo existen?  

Considero que en el Perú podrían eliminarse las restricciones a la asistencia financiera bajo ciertas condiciones, protegiendo a minoritarios de conflictos de intereses que puedan presentarse entre los intereses del accionista adquirente y los minoritarios.  Es mejor que restringirla por completo.

Por último, ¿qué sectores destacaría usted como potenciales targets para lo que resta de 2017 en el mercado de M&A latinoamericano? ¿Por qué? 

El gobierno chino parece enfocado en asegurarse la disponibilidad de diversos recursos naturales a largo plazo, esto genera que las empresas chinas estén enfocadas en adquirir activos en toda la región que ayuden a este fin.  La liquidez generada en la región y en otras partes del mundo ha fomentado la creación de fondos de capital privado de toda clase y tamaño, enfocados en una gran diversidad de actividades.  Por otro lado, varias empresas de nuestros países han adoptado la estrategia de convertirse en actores regionales, sumándose a las ya conocidas multilatinas en su estrategia de crecimiento regional.  Todo esto genera un grupo importante de entidades que están en búsqueda de oportunidades de inversión.  Por el lado de la venta están los negocios que sufren reacomodos por razones locales o regionales, como en el caso de las constructoras y las mineras.  Por esto, considero que para el resto del año y el año que viene, en el caso del Perú los sectores más dinámicos podrían ser infraestructura, inmobiliario, agricultura, recursos naturales, energía, pesca, educación y salud.   Mirándolo desde el radar regional, sin embargo, las transacciones más relevantes por su valor en USD serán en el sector minero, energía, infraestructura y pesca.

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English

Mr. MacLean, first of all, could you offer us a general assessment concerning the current development of the M&A market in Latin America in comparison the previous period?

The figures that the TTR reports offers until October seem to indicate that the number of transactions could be the same or more than last year. However, the value in dollars is smaller and has been going down consistently for the last four years.

As a professional in the advice of mergers and acquisitions, could you tell us briefly what are the sectors in Peru that are showing more changes in the volume of their transactions and why?

Based on the experience that we have had in the firm, the most dynamic sectors have been infrastructure, agriculture, the financial sector, education and the real-estate sector.

The good development of the infrastructure sector is due to the crisis of Brazilian building companies and the financial problems of two others international companies with important projects, as well as the wish of the Peruvian building companies that look forward to overcoming the relevant crisis that it has generated. The agricultural sector is active because Peru has become an important exporting country of several well-valued products at international level. This situation has generated an outbreak of acquisitions and operations of private equity. The financial sector, the education sector and real-estate sector are reflecting a new adjustment of actors.

As a legal advisory expert in projects that require financing, could you explain us the process of the most usual methods for getting credit?

In the Peruvian case in acquisitions where the purchaser is operator of the business that has purchased or it’s a consolidated business group, the source of popular financing is the bonus. When the purchaser is a fund of investment, these tends to go first to banking debt, which can then be refinanced by a bond issue by the acquired company.

What are the main difficulties that companies face to when applying for such loans?

I would say that the main barrier in the case of Peru are the restrictions to the financial assistance that restrict the ability of the purchasers of using the assets of the purchased company to finance the acquisition. For this reason, financing the acquisitions is easier when a company is purchased completely at 100% (or in a very big majority and with very little minority shareholders) and without debts or very few debts condensed in one or few creditors.

Regarding the previous question, do you think that is possible to do some legislative changes to facilitate the access of this kind of financing for the companies keeping in mind the conditions which exist now?

I consider that in Peru the restrictions for financial assistance could be deleted under some conditions, protecting minorities against conflicts of interests that may appear between the interests of the purchased shareholder and minorities. This situation It’s better than restrict it completely.

Finally, what sectors would you consider as main targets for the rest of 2017 in the Latin American market of M&A? Why?

The Chinese government seems to be focus on assure the availability of different natural resources in a long-term, in consequence Chinese companies would be focused on purchasing assets in all the region that helps achieving this objective. The liquidity generated in the region and in other parts of the world has encouraged the creation of funds of private capital in every class and size, focused on a great diversity of activities. On the other hand, several companies of our countries have adopted the strategy of becoming regional actors, incorporating themselves to the great Latin-American companies with their strategy of regional growing. All of this generates an important group of entities which are in search for opportunities of investment.

On the side of the sales are the business which suffer adjustments because of local or regional reasons like building or mining companies. For this reason, I consider that by the rest of the year and for 2018, in the case of Peru, the most dynamic sectors could be: infrastructure, the real-estate, agricultural, natural resources, energy, education, health and fishing. Looking through the regional radar, however, the most important transactions due to their USD Value will be the mining sector, energy, infrastructure and fishing.

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Mónica Martín de Vidales- Garrigues (Es/En)

Mónica Martín de Vidales habla de las operaciones de M&A en España

Codirige el departamento mercantil de Garrigues, firma donde ha desarrollado su carrera profesional tras su paso por Arthur Andersen y un periodo entre 2001 y 2004 como Secretaria General y del Consejo de la sociedad Telefónica Media, y las sociedades de su grupo (Antena 3 TV, Onda Cero, Via Digital, etc.) cabecera entonces del grupo de medios de comunicación del Grupo Telefónica. Actualmente es secretaria no consejera y letrada asesora del Consejo de Administración de varias sociedades españolas, en particular de Merlin Properties Socimi.

Especializada en Derecho Mercantil, fundamentalmente en temas relacionados con M&A, con el Derecho Societario, gobierno corporativo y reordenaciones empresariales tanto de sociedades privadas como de sociedades cotizadas. Mónica ha liderado algunas de las operaciones más relevantes de M&A tanto a nivel nacional como internacional a lo largo de los últimos treinta años.

¿Cómo calificaría la situación del mercado transaccional español en 2017? ¿Cree que ha sido un año positivo?

El año 2017 ha sido y está siendo un año, sin duda, positivo. Con carácter general, para toda España, la primera parte del año fue excepcional, con un elevado volumen de operaciones, una clara mejora en el acceso a la financiación y una actividad intensa que auguraba un año de recuperación y crecimiento claros y rotundos. La segunda parte del año ha sido y está siendo quizá algo menos homogénea, con áreas y sectores que mantienen el nivel de transacciones muy alto (en algunos casos el mejor periodo de los últimos 10 años) mientras que otras zonas parece que se sufre cierta ralentización; no obstante, en estos casos en los que parece que el segundo semestre ha podido ser más complejo, lo que se advierte es que la complejidad se ha centrado más en el impacto sobre el cierre de operaciones (con una posible desaceleración en la adopción de decisiones) que sobre el hecho de que se sigan analizando transacciones. En estas zonas o áreas el volumen de transacciones estudiadas se ha mantenido en niveles acordes con la recuperación económica. 

A raíz de su dilatada experiencia en operaciones de M&A, ¿qué sectores considera que han sido los más importantes para el mercado transaccional español en los últimos años? ¿A qué cree que se debe?

Dejando al margen las operaciones “distressed” que tuvieron lugar en los años de la crisis y los inmediatamente posteriores, sin duda en los últimos 3 años y, en particular, en este último año, se ha apreciado el papel muy relevante de las operaciones del sector inmobiliario (bien de carteras completas de activos, bien de edificios singulares), o relacionadas con carteras de créditos vendidas por entidades financieras o por SAREB, operaciones que, sin duda, han sido líderes del M&A de estos años. Adicionalmente a esto, a estas operaciones más “tradicionales” del sector se añade la novedad protagonizada por las interesantes transacciones de M&A consistentes en la integración de sociedades en las que la base es la tenencia de inmuebles del más variado tipo (oficinas, centros comerciales, residencial, hoteles…) para lanzar, tras procesos de fusiones, escisiones o compras, entidades que luego se han vendido en los mercados de valores (las famosas Socimis que han proliferado en estos últimos años)

Pero lo importante, en mi opinión, del esperado arranque del M&A, que no sé si calificar de causa o de consecuencia del crecimiento económico y de la salida de la crisis, es la recuperación, en este periodo, de las transacciones en casi todos los sectores de actividad, realizadas por fondos de inversión y por industriales, sin que se pueda asegurar que unas preponderen sobre las otras. Depende del sector y de la zona en que se realiza la operación. En estos años hemos visto operaciones en el sector de la alimentación, en el sector tecnológico, en el sector financiero, en las concesionarias, en las telecomunicaciones, ventas de fábricas y actividad industrial, en los hospitales, en el sector del automóvil…. Sinceramente creo que ha habido transacciones en casi todos los sectores que constituyen el entramado empresarial europeo. Es cierto que depende de las zonas y que el tamaño medio de operaciones es muy variable con mega transacciones para lo que suele ser la media en España (la OPA sobre Abertis, la venta de Telxius por Telefónica, la integración de Opel y PSA…) y un relevante número de transacciones de tamaños menores, incluso mediando o pequeños.

Una de las últimas operaciones de M&A en las que ha participado finalizará con un private equity estadounidense, Rhône Capital, controlando una participación minoritaria, aunque muy significativa de un grupo español que surgirá de la integración de Zodiac Pool Solutions en Fluidra. ¿Cree usted que en estos años se ha incrementado el interés de firmas de private equity en empresas españolas que operan sectores históricamente menos relevantes en el país, como es el caso del sector de las piscinas? ¿Por qué?

En mi opinión, una vez que España se recupera económicamente y demuestra que es un país en el que resulta interesante invertir y en el que hay oportunidades de inversión, se atrae de forma inmediata el interés tanto de los fondos de private equity como de los operadores de cualquier sector en el que en España tenga una empresa que le pueda servir para crear un líder; da igual de a qué sector nos estemos refiriendo.

Y eso es el caso de una operación como la de Zodiac con Fluidra. No son operaciones que responden a la nacionalidad en sí de las empresas que participan, sino al hecho de que se están uniendo dos de los mayores operadores mundiales de un sector. Me explico, Zodiac se fija en Fluidra o Fluidra se fija en Zodiac porque ambas pueden crear un grupo unido que pueda ocupar el liderazgo del sector de fabricación y comercialización de productos y soluciones para piscinas. Es irrelevante en una operación de este tipo la nacionalidad de las empresas.  Lo bueno para la actividad en España es que, en este caso, uno de los participantes es una empresa española.

Es cierto que hace unos años, cuando España fue casi vetado por la inversión extranjera como consecuencia de la crisis, esto era impensable, pero una vez que el país es reconocido como lugar de destino de inversiones, cualquier operación de M&A es posible; depende de que tengamos aquí líderes de un sector o el complemento preciso para que se consolide un líder y, seamos optimistas y realistas, en España hay muy buenas empresas y muy buenos empresarios.

Cuenta usted también con experiencia en la reordenación de grupos mercantiles, a nivel nacional y a nivel internacional. Al tener que coordinarse en muchos casos con empresas, organismos y despachos de otras jurisdicciones, ¿qué áreas del derecho considera usted que entrañan más dificultad en estos procesos? ¿Cuál es el motivo?

No podemos negar que las operaciones tradicionales de M&A, en lo que se refiere al esquema básico de los contratos de compraventa de acciones o de activos suelen ser bastante estándar, formando parte de cualquier proceso la habitual negociación del alcance de las declaraciones y garantías, de las limitaciones de la responsabilidad sobre hechos pasados, de la necesidad de prever condiciones suspensivas entre firma y cierre de la operación y la consecuente discusión sobre cómo actuar en el periodo intermedio… pero dicho esto, es evidente que hay áreas en las que las transacciones en las que se involucran varias jurisdicciones producen más problemas. La causa es la falta de homogeneización de las regulaciones. Esas áreas son las relacionadas con el Derecho Público (sectores altamente regulados como las telecomunicaciones, la energía, el sector financiero…), el Derecho Laboral o el Derecho Fiscal.

A esto hay que añadir, y hemos aprendido mucho en estos últimos años, la gran complejidad jurídica que es precisa para intentar coordinar los procedimientos de insolvencia en diferentes jurisdicciones. Como un paso preventivo a esas situaciones, son también áreas que entrañas gran dificultad en transacciones internacionales las relacionadas con la constitución y ejecución de garantías.

Aparte de abogada ha desempeñado usted labores de profesora también, por supuesto en el sector del derecho. ¿Qué diferencias, aparte de las tecnológicas, cree usted que existen entre el mundo laboral del derecho al que accedió usted y el que se presenta en la actualidad para los nuevos/as abogados/as?

En mi opinión, los futuros abogados se enfrentan un mundo empresarial mucho más complejo que el que existía en España en 1987 (es el año en el que yo empecé a ejercer como abogado). Yo no creo que para los nuevos abogados sea un problema el avance tecnológico; en realidad, los nuevos abogados casi son lo que yo considero nativos digitales, esto es, personas que han nacido en una etapa de presencia tecnológica intensa o que han crecido rodeados de todas esas herramientas y capacidades tecnológicas. La digitalización es más bien una prueba para los que tenemos cierta edad.

La dificultad que tienen los nuevos abogados (y obviamente también los “viejos” abogados) es que el desarrollo tecnológico debe permitirnos ser más eficaces y, en la medida en que te da acceso a un mundo casi infinito de información, mejor preparados. Además, el acceso a la información es universal y si el abogado puede hacerlo, el cliente también, y esto implica un nivel de formación, de estudio y de especialización riguroso y profundo. Ya ningún cliente (al menos en las operaciones de M&A) necesita un asesoramiento “sencillo”.

A ello hay que añadir el cambio cultural que ha supuesto una vida empresarial con un nivel de regulación bastante intensivo (a veces invasivo) y un riesgo cierto de exigencia de responsabilidad personal a los empresarios. No podemos olvidar que estos empresarios son los clientes de las operaciones de M&A, y este nuevo ambiente los lleva a requerir un asesoramiento sólido en el que el abogado de M&A sea capaz de detectar las especialidades con las que debe consultar para eliminar o minimizar riesgos. Nadie aspira ni puede aspirar a que su abogado sea “enciclopédico” y sepa de todo, pero sí que sepa a qué especialista hay que invitar a incorporarse al equipo que asesora en la transacción.

Yo creo que ahí están las grandes diferencias.

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Mónica Martín de Vidales co-directs the Corporate Law Department at Garrigues, where she has spent her entire professional career after a period at Arthur Andersen and a period between 2001 and 2004 as general and board secretary of Telefónica Media, and the companies in its group (Antena 3 TV, Onda Cero, Vía Digital, etc.), at that time the leader of the communications group of Grupo Telefónica. She is currently the nondirector secretary and legal advisor to the board of directors of several Spanish companies, in particular, of Merlin Properties Socimi

Specializing in corporate/commercial law, fundamentally in M&A, company law, corporate governance and business restructuring of private and of listed companies alike, Monica has led some of the most significant M&A transactions of the last 30 years, both at national and at international level.

How would you classify the situation of the Spanish transactional market in 2017?  Do you think it has been a positive year?

Without a doubt, 2017 has been, and continues to be, a positive year. In general, for all of Spain, the first part of the year was exceptional, with a high volume of transactions, a definite improvement in access to funding and intense activity that foretold a year of clear and unequivocal recovery and growth. The second part of the year has been, and still is, somewhat less homogeneous, with some areas and industries maintaining a very high level of transactions (in some cases the best period of the last 10 years), while other areas appear to be slowing down a bit; nonetheless, in cases in which the second semester appears to have been more complex, such complexity has notably been focused more on the impact on the close of transactions (with a possible deceleration in decision-making), than on the fact that transactions continue to be analyzed.  In these areas, the volume of transactions studied has remained at levels consistent with economic recovery.

Having regard to your wide experience with M&A transactions, what industries do you think have been the most important for the Spanish transactional market in recent years, and why?

Apart from the “distressed” transactions that took place during the crisis years and those immediately thereafter, in the last 3 years and, in particular, in this last year, a very significant role has doubtless been played by transactions in the real estate industry (either with complete asset portfolios or with individual buildings), or by transactions related to credit portfolios sold by financial institutions or by SAREB. These transactions have without a doubt been at the forefront of M&A during these years. Added to these more “traditional” transactions in the industry has been the novelty created by interesting M&A transactions consisting of the merger of companies in which the base is the holding of a greater variety of real estate (offices, shopping malls, residences, hotels …), with a view to launching, following mergers, spin-offs or purchases, entities that are later sold on securities markets (the famous Socimis that have multiplied in recent years).

In my opinion, however, the important part of the long-awaited resurgence of M&A, which I don’t know whether to classify as a cause or an effect of the economic growth and of the end of the crisis, is the recovery, during this period, of transactions in practically all industries, carried on by investment funds and by industrialists, without it being possible to say that there are more in one industry than in another.  Rather it depends on the industry and on the area in which the transaction is carried out.  In recent years we have seen transactions in the food industry, the technology industry, the financial industry, in concessionaires, in telecommunications, factory sales and industrial activity, at hospitals, in the automobile industry …. I sincerely believe that there have been transactions in nearly all the industries making up the European business fabric.  It is true that it depends on the area, and that the average transaction size is extremely variable, with mega-transactions for what is usually the average in Spain (the takeover bid on Abertis, the sale of Telxius by Telefónica, the integration of Opel and PSA….) and a significant number of transactions of a smaller size, including medium- or small-size transactions.

One of the last M&A transactions in which you took part will end with a US private equity firm, Rhône Capital, controlling a minority but very significant holding in a Spanish group that will result from the merger of Zodiac Pool Solutions and Fluidra. Do you believe that, at present, there has been an increase in the interest of private equity firms in Spanish companies operating in industries traditionally less significant in Spain, such as the swimming pool industry?  If so, why?

In my opinion, once Spain has recovered economically and proves that it is a country in which it is of interest to invest, private equity funds and operators in any industry in which Spain has a company that could serve to create a leader will show an immediate interest, regardless of the industry.

This is the case of a transaction such as that of Zodiac with Fluidra.  These are not transactions that relate to the nationality, as such, of the merging companies, but rather to the fact that two of the largest global operators in an industry are merging.  What I mean is, Zodiac notices Fluidra or Fluidra notices Zodiac because, together, the two could create a unified group that could become the leader of the swimming pool products and solutions manufacturing and marketing industry.  The nationality of the companies is irrelevant in a transaction of this type.  What is good for the activity in Spain is that, in this case, one of the merging companies is a Spanish company.

This was, in fact, unthinkable a few years ago, when Spain was practically barred to foreign investment as a result of the crisis, but once the country is recognized as a place in which to invest, any M&A transaction is possible; it will depend on our having industry leaders here, or precisely what is needed for a leader to arise, and, let’s be optimists and realists, in Spain there are very sound enterprises and very good entrepreneurs.

You also have experience in the restructuring of groups of companies, at national and at international level.  By having to coordinate, in many cases, with companies, bodies and firms from other jurisdictions, what areas of law do you think involve the greatest difficulty in these processes, and why?

We cannot deny that the traditional M&A transactions are usually quite standard, in terms of the basic scheme of share or asset purchase agreements, and the negotiation of the scope of representations and warranties, limitations on liability for past events, the need to foresee conditions precedent between execution and completion of the transaction and the resulting discussion of how to act during that interim period, form part of any process … but having said that, it is clear that there are areas in which transactions involving various jurisdictions give rise to greater difficulties. The reason is the absence of standardized regulations. These areas relate to public law (highly regulated industries such as telecommunications, energy, finance…), labor law or tax law.  To this we must add, and we have learned a lot over the last few years, the major legal complexity required in order to coordinate insolvency proceedings in different jurisdictions.  As a preventive step to such situations, areas which entail major difficulties in international transactions are those connected with the creation and enforcement of guarantees.

Apart from practicing as a lawyer, you have also worked as a teacher, of course in the field of law.  What difference, apart from technological differences, do you think exist between the legal profession you entered and that being accessed today by new lawyers?

In my opinion, future lawyers are faced with a business world that is much more complex that that existing in Spain in 1987 (the year in which I began to practice as a lawyer). I do not see technological advances as a problem for new lawyers; in fact, new lawyers are almost what I regard as digital natives, i.e., persons who were born in a time of intense technological presence or who have grown up surrounded by all of these technological tools and capacities. Digitalization is more of a trial for those of us of a certain age.

The difficulty for new lawyers (and of course for “old” lawyers as well) is that technological development should enable us to be more efficient, and, insofar as it gives us access to an almost infinite world of information, better prepared.  Furthermore, access to information is universal, and if the lawyer can do it, so can the client, and this requires a level of training, study and specialization that is thorough and far-reaching.  No client (at least in M&A transactions) needs “simple” advice.

To this we have to add the cultural change entailed by a business life with a fairly intensive (and at times even invasive) level of regulation and a definite risk of the demand of personal liability from entrepreneurs.  We cannot forget that these entrepreneurs are the clients of M&A transactions, and this new atmosphere means that they will require sound advice in which the M&A lawyer is capable of detecting the special features that must be consulted in order to eliminate or minimize risk.  No client can or should require his lawyer to be “encyclopedic” and to know everything, but clients do want him to know which specialist he can invite to join the team providing advice on the transaction.

It is here that I think the major differences are found.

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Eduardo Paulino fala do desenvolvimento do mercado M&A em Portugal

Eduardo Paulino – sócio Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados

Desenvolve a sua atividade essencialmente em matéria de operações de fusão, aquisição e parceria, ofertas públicas de distribuição e de aquisição, project finance/parcerias público-privadas e privatizações. Tem igualmente experiência em matérias de direito bancário e financeiro e de compliance.

Com o fim de 2017 se aproximando, como avalia a performance do mercado de M&A em Portugal no decorrer do ano?

Contrariamente ao que eram as perspectivas mais pessimistas no final de 2016, considerando alguma incerteza residual no plano interno quanto à estabilidade da solução de governo e, em especial, a incerteza no plano internacional associado às vitórias eleitorais de projectos de matriz menos internacionalista e multilateral, o ano de 2017 tem vindo a ultrapassar as nossas melhores expectativas, não só em termos de número, mas também de valor das transacções.

Em 2017, o senhor teve uma atuação destacada em transações no setor bancário. Como vê as tendências e expectativas para esse sector em 2018?

O sector bancário português sofreu uma transformação radical em resultado da crise financeira internacional e, estou em crer, saiu consideravelmente robustecido do processo de ajustamento a que – tal como a generalidade dos sectores de actividade em Portugal – foi submetido. Em geral, os níveis de capitalização e de liquidez são agora muito mais confortáveis e genericamente alinhados com os de muitos bancos europeus.

Estabilizados os níveis de capital e liquidez principais bancos, num processo que se concluiu com a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a alienação da maioria do capital do Novo Banco (que deixou de ser um banco de transição, com todas as limitações associadas à respectiva actividade), os maiores bancos nacionais continuam obrigados a prosseguir o esforço de reforço da rentabilidade, designadamente pelo aumento dos níveis eficiência (contando-se já em Portugal com alguns dos bancos mais eficientes na Europa), especialmente num ambiente social e político cada vez menos receptivo a políticas de contenção.

Neste contexto, considerando igualmente algumas medidas patrocinadas pelo Governo e pelo Banco de Portugal com vista à criação de uma “plataforma” que apoie o desenvolvimento deste tipo de processos, perspectiva-se que o esforço de redução da exposição dos principais bancos a activos não produtivos (“NPAs”) e, em especial, a créditos em situação de incumprimento (“NPLs”) contribua para a continuação de um volume cada vez mais significativo de actividade de alienação de carteiras de crédito.

É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no sector?

Claramente. O enquadramento regulatório do sector obrigou a uma cuidadosa adaptação dos modelos de avaliação e isso levou também a uma diferente abordagem em todo o processo que leva à conclusão com sucesso uma transacção.

A densa floresta de regras aplicáveis à actividade (seja no que respeita a requisitos crescentes de capital e de “tipos” de capital regulatório, seja no que respeita à conformação da actividade das instituições financeiras e dos próprios produtos financeiros) exige um cuidado redobrado no planeamento, negociação e implementação de transacções neste sector, sendo absolutamente crucial o envolvimento desde a primeira fase de equipas multidisciplinares que permitam identificar e tratar tão cedo quanto possível factores de risco e incerteza, muitas vezes com efeitos muito relevantes em termos de valor e/ou reputação.

O senhor tem participado em processos de ofertas públicas e particulares de capital, ações e de dívida, bem como OPAs, sendo a mais recente a oferta de aquisição sobre as ações do Montepio realizada pela Associação Mutualista. Poderia fazer um panorama de quais são os maiores desafios ao atuar nessas transações, levando em consideração as particularidades do mercado de capitais português?

O mercado de capitais atingiu níveis razoavelmente altos de integração no espaço europeu, não só no plano do enquadramento regulatório, mas também na prática de mercado, não sendo ousado dizer que, em geral, as operações que envolvem emitentes nacionais tendem a decorrer de acordo com o que de melhor e mais sofisticado se faz internacionalmente.

Permanecem, porém, alguns desafios, em especial no que respeita à necessidade de reforçar a imagem de clareza e previsibilidade na actuação de alguns dos agentes do mercado, bem como, em geral, a credibilidade do nosso mercado depois de alguns eventos geradores de incerteza (e de perdas relevantes para investidores nacionais e internacionais), o que levará ainda algum tempo a atingir definitivamente.

Quais cenários ou tendências já podem ser identificados no mercado de M&A em Portugal para 2018, e quais sectores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Apesar de algumas ameaças e incertezas, as perspectivas genericamente favoráveis da generalidade da comunidade de investidores com relação ao ambiente económico português têm vindo a contribuir significativamente para que diversos investidores que tradicionalmente não considerariam investir em Portugal tenham incluído o país no seu ”radar” e as expectativas de que o processo de normalização do “rating” da República Portuguesa para níveis ditos de “grau de investimento”, que poderá trazer melhorias na capacidade de financiamento do Estado e, directa e indirectamente, das empresas, permitem que mantenha o optimismo quanto à manutenção desta situação de crescimento por mais alguns trimestres, em especial nos sectores da energia e do imobiliário, que têm revelado um forte dinamismo nos meses recentes.

Leia mais sobre as transações de Eduardo Paulino aqui. 

Saiba sobre as transações do escritório Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados aqui.


Partner at MLGTS, Eduardo Paulino’s main areas of practice include capital markets, company and corporate law and banking and finance, focusing on M&A, public offerings, project finance and privatisations.

With 2017 drawing to a close, how would you rate the performance of the M&A market during the year?

In contrast to the more pessimistic perspectives at the end of 2016, owing to a certain degree of residual uncertainty on an internal level as to the stability of the government’s solution and, especially, uncertainty on the international stage following electoral victories of less internationalist and multilateral projects, 2017 has exceeded our most optimistic expectations, not only in terms of number also in terms of transaction value.

In 2017, you were extensively involved in banking sector transactions. What is your view of the trends and expectations for this sector in 2018?

The Portuguese banking sector has undergone radical transformation as a result of the international financial crisis and, in my view, like Portuguese sectors of activity in general, it has exited the adjustment process to which it was subjected considerably stronger. Generally speaking, capitalisation and liquidity levels are now far more comfortable and in line with those of many European banks.

Now that the capital and liquidity levels of the main banks have been stabilised in a process that was finalised with the recapitalisation of Caixa Geral de Depósitos and the sale of the majority of the capital of Novo Banco (which is no longer a bridge bank, with all the inherent restrictions on its activity), the largest national banks are still obliged to work towards boosting profitability, specifically by increasing efficiency levels (although Portugal already has some of the most efficient banks in Europe), particularly in a socio-political environment which is becoming increasingly less receptive to austerity policies.

Within this context, and also taking into account certain measures sponsored by the Government and the Bank of Portugal with a view to creating a “platform” that will support the development of this kind of process, it is expected that the work towards reducing the exposure of the main banks to non-performing assets “NPAs”) and, especially, to non-performing loans (“NPLs”), will contribute to increasingly more significant sales of credit portfolios.

Have there been recognizable changes or innovations in recent years in relation to transactions conducted in the sector?

Certainly. The regulatory framework for the sector called for a careful adaptation of valuation models and this also brought about a different approach in the entire process that leads to successful completion of a transaction.

The litany of rules governing the activity (whether with respect to growing equity requirements and classes of regulatory capital, or to shaping the activity of financial institutions and financial products themselves) requires redoubled care in the planning, negotiation and implementation of transactions in this sector. It is absolutely crucial that multidisciplinary teams are involved from the early stages so as to enable possible risk and uncertainty factors, which very frequently have very significant effects in terms of value and/or reputation, to be identified and addressed as quickly as possible.

You have taken part in public and private capital offerings, share and debt operations, as well as takeover bids, with the most recent being the offer made by the Mutual Association for the acquisition of Montepio shares. Could you give us an overview of the major challenges involved in such transactions, given the particularities of the Portuguese capital market?

Capital markets have reached reasonably high levels of integration in Europe, not only in terms of the regulatory framework but also in terms of market practice. It would not be bold to say that, in general, operations involving national issuers tend to be carried out in line with the best and most sophisticated international operations.

Some challenges remain, however, especially with regard to the need to bolster the image of clarity and predictability in the actions of some market agents, as well as, in general, the credibility of our market in the wake of events that generated uncertainty (and significant losses for national and international investors), which will still take some time to achieve.

What scenarios and trends can already be identified in the M&A market in Portugal for 2018 and, in your opinion, which sectors have the greatest growth potential?

Despite some threats and uncertainties, the generally favourable perspectives of the community of investors that have a relationship with the Portuguese economic environment have been making a significant contribution to the fact that different investors who would not traditionally consider investing in Portugal have included the country on their “radar” while the expectations that the process of bringing the rating of the Portuguese Republic back to investment level, which could improve the ability of the State and, directly or indirectly, companies to arrange financing, enable continued optimism regarding the continuation of this growth for a few more quarters, especially in the energy and real estate sectors, which have proven to be very dynamic in recent months.

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