PORTUGAL: RELATÓRIO MENSAL- SETEMBRO

Fusões e Aquisições em Portugal crescem 42,73% até Setembro

  • Portugal registou 222 transações até Setembro
  • 83 transações revelaram valores que somam € 8,4 mil milhões
  • Investimentos de private equity tiveram alta de 191% no ano

PANORAMA DO MERCADO TRANSACIONAL

O mercado de fusões e aquisições de Portugal movimentou €8,4 mil milhões de janeiro a setembro, um crescimento de 42,73% face ao mesmo intervalo do ano anterior. Segundo o Relatório Mensal de M&A da Transactional Track Record, já foram registradas 222 transações no país desde o início do ano.

Dois subsetores têm liderado os movimentos transacionais no país em 2017. O segmento Imobiliário aparece como mais ativo do período, desde janeiro foram registradas 45 operações envolvendo empresas do setor, representando uma alta de 22%, seguindo tendência que se repete desde 2015. Porém, o maior crescimento foi no setor de Saúde, Higiene e Estética, cujas transações aumentaram em 27%.

Cross-Border

Em número de operações cross-border, o mercado português soma 74 operações de inbound, em que empresas portuguesas foram adquiridas por companhias estrangeiras.   Ao longo do ano, o país que mais efetuou transações em território nacional foi a Espanha, que adquiriu 19 empresas. Uma das aquisições mais expressivas, foi a aquisição da portuguesa Lestenergía – Exploração De Parques Eólicos pela Saeta Yield, operadora de projetos de energias renováveis de origem espanhola, por €104 milhões.

O Reino Unido ultrapassou, assim como a Espanha, os Estados Unidos em números de transações, foram 14 contra as 10 estadunidenses. Porém, nenhum dos dois países europeus os alcançaram em termos de aportes, visto que as transações envolvendo empresas dos EUA totalizaram mais de € 1.1 mil milhões.

Private Equity and Venture Capital

Os anúncios de investimentos realizados por firmas de investimento de private equity contabilizaram no acumulado do ano 31 operações, um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2016. Dez dessas transações revelaram valores que somam € 4,6 mil milhões, um incremento de 191%.

Já o cenário de venture capital permanece pouco expressivo, com investimentos na ordem de € 26 milhões no ano, representativos de uma queda de 70% no total aportado e de 25% no número de operações, 21 no ano.

TRANSAÇÃO DO TRIMESTRE

A transação do trimestre eleita pela Transactional Track Record, foi a aquisição do Grupo Elevo, detido pela Vallis Construction Sector, pela Nacala Holding, empresa com sede em Luxemburgo pertencente ao empresário Gilberto Rodrigues, pelo valor de €90 milhões.

Localizado em Lisboa, o Elevo é um grupo de engenharia e construção que resultou da fusão entre os grupos Edifer, Monte Adriano, Hagen e Eusébios. No ano de 2016, a empresa registou um volume de negócios de cerca de €450 milhões.  A Nacala Holdings recebeu assessoria jurídica da FCB&A Sociedade de Advogados, e a Vallis Construction Sector, da SRS Advogados.

ENTREVISTA:

Diogo Perestrelo, da PLMJ, discute o mercado de M&A em Portugal:

“…obstáculos regulamentares, as qualificações dos trabalhadores, a possibilidade de utilizar novos instrumentos financeiros para financiar os melhores projetos. Qualquer política que favoreça estes aspetos vai certamente contribuir para incrementar o investimento. Mas se tivesse que citar um fator apenas, diria que a estabilidade do enquadramento fiscal é crítico para um investidor internacional.”

 

Entrevista: Diogo Perestrelo, da PLMJ, discute o mercado de M&A em Portugal

Diogo Perestrelo, é socio da PLMJ. Os principais projectos em que prestou assessoria jurídica durante os últimos anos incluíram fusões e aquisições em diversos sectores, entre os quais, transportes, infra-estruturas e energia bem como operações de private equity, designadamente MBOs, MBIs e buy & build. Também participou na assessoria jurídica, desde o seu início em Portugal, de diversos Project Finance nas áreas das concessões rodoviárias, energias renováveis, águas e telecomunicações.

TTR: Como descreveria a performance do mercado português de M&A desde o início de 2017 até agora? 

Diogo Perestrelo: O mercado português de M&A tem tido uma performance que se caracteriza essencialmente por operações de M&A dito “tradicional”, e, em menor escala, operações de private equity. Parte significativa dessas operações decorre de uma clara estratégia de desinvestimento em ativos não essenciais ou ativos de risco, e visa consolidar as condições financeiras de instituições bancárias, fundos e empresas em geral.

Temos também assistido a operações de M&A de outra natureza, envolvendo outro tipo de investidores, com vocação e objetivos distintos, de que é exemplo a aquisição, pelo fundo Ardian, o maior fundo de infraestruturas europeu, da Ascendi – o segundo maior grupo de concessões de autoestradas português. O que demonstra bem que o mercado português permaneceu ativo, também no contexto de investimentos com objetivos de longo prazo.

TTR: No que diz respeito aos investimentos estrangeiros realizados em empresas portuguesas, os que mais se destacam são as empresas cujas sedes estão localizadas na Espanha, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Quais características das empresas portuguesas o senhor acredita atrair o interesse dos investidores estrangeiros?

Diogo Perestrelo: Creio que o crescente interesse no investimento em empresas portuguesas não decorre tanto das características das empresas portuguesas per si, mas sim dos setores económicos em que estas operam. Seja no domínio do turismo, das áreas tecnológicas, da energia renovável, são setores em franca expansão ou consolidação, nos quais as nossas empresas beneficiam de uma ampla e reconhecida experiência. Uma palavra também para o programa Startup Portugal, que impulsionou e reforçou a capacidade de afirmação internacional das empresas portuguesas. A realização da Web Summit em Lisboa também permitiu e continuar a dar frutos e visibilidade ao mercado das start-ups e das tecnológicas portuguesas.

É gratificante, como advogado português, constar que cada vez mais, em contextos profissionais internacionais, as questões que me colocam incidem sobre setores preferenciais para investir e as oportunidades disponíveis, e não (já), como acontecia há uns anos atrás, sobre a situação do País na sequência da intervenção da Troika.

TTR: Qual tendência destacaria como a que trouxe os melhores resultados em termos estratégicos para as empresas portuguesas? Quais políticas adotadas podem ser fatores de influência para estimular os investimentos? 

DP: As decisões de investimento empresarial dependem de vários fatores. Para além dos aspetos de política macroeconómica e do quadro orçamental e fiscal, há dimensões do quotidiano das empresas que contextualizam o investimento e que o influenciam. Por exemplo, obstáculos regulamentares, as qualificações dos trabalhadores, a capacidade de selecionar bons projetos, a possibilidade de utilizar novos instrumentos financeiros para financiar os melhores projetos. Qualquer política que favoreça estes aspetos vai certamente contribuir para incrementar o investimento. Mas se tivesse que citar um fator apenas, diria que a estabilidade do enquadramento fiscal é crítico para um investidor internacional.

Foi recentemente publicado o diploma através do qual se cria o Fundo de Coinvestimento 200M, que visa fomentar a constituição ou capitalização de empresas, nomeadamente na fase de arranque, e promover o capital de risco. Ainda é cedo para avaliar os resultados práticos das medidas previstas neste diploma, mas estamos convictos de que serão um importante instrumento para reforçar a atividade e o investimento empresarial.

TTR: O Setor Imobiliário vem sendo o motor das transações de M&A no mercado Português, uma tendência que se mantem desde 2015. Quais são as perspetivas de crescimento desse setor para o próximo ano? Acha que pode haver uma saturação do mercado?

DP: O mais provável é que essa tendência perdure por mais alguns anos, embora se espere algum abrandamento nos preços dos imóveis. Há segmentos deste mercado que ainda não revelaram todo o seu potencial. Assim, o setor imobiliário tem margem para crescer, seja através da implementação de novas oportunidades de negócio em parceria com proprietários de prédios devolutos ou subocupados nos centros urbanos, seja pela via de estratégias integradas com o setor do turismo, promovendo as diferentes regiões nacionais e consolidar a descentralização na procura turística. Recorde-se que continuamos a assistir a um crescimento significativo no setor do turismo – os dados oficiais confirmam que Portugal nunca recebeu tantos turistas como no ano passado e que este setor provavelmente continuará em ascensão.

Portugal é um país pequeno com infraestruturas de telecomunicações e rodoviárias ao nível do melhor que há no mundo e o interior do País e isso faz com que novas zonas do País fora dos grandes centros urbanos e mesmo no interior possam ser objeto de desenvolvimento imobiliário.

TTR: Houve um aumento no interesse de investidores de Private Equity e Venture Capital olhando para Portugal. Do seu ponto de vista, as empresas portuguesas têm tido sucesso ao buscar esses investimentos? Quais são as estratégias que estão sendo favorecidas pelas empresas para atrair essas modalidades de investimentos? 

DP: O acesso a capital de risco é, efetivamente, uma opção para as empresas portuguesas, sejam elas startups,sejam empresas já com algum grau de maturidade.  Em traços gerais, o investidor tem a expectativa de aceder a projetos inovadores em mercados com potencialidade de crescimento e beneficiar de equipas com elevado grau de complementaridade, detentoras de profundo conhecimento da área de negócio.

O investimento de private equity e venture capital tem sido um caso de sucesso no nosso País. As empresas perceberam que um dos fatores mais relevantes para a captação deste tipo de investimento é a capacidade de reunir uma equipa de qualidade, com capacidade de identificar problemas, desenhar soluções e promover a sua execução, de uma forma eficiente. Naturalmente que outro fator essencial é a existência de um modelo de negócio, com acesso a canais de distribuição flexíveis, que permitam alcançar dimensões relevantes, com o mínimo capital possível.

Talvez a estratégia das empresas para atraírem esta modalidade de investimento assente nestes dois pilares: equipas capazes e modelos de negócio inovadores e eficientes.

TTR: Qual sua expectativa para o último trimestre do ano?

DP: Podemos antecipar um aumento nas fusões e aquisições no setor financeiro, mantendo-se a tendência de venda de ativos por bancos e instituições financeiras, essencialmente ativos não estratégicos ou os designados ativos de risco. Esta foi uma tendência importante em 2017, que nos parece poder continuar até ao final do ano.

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ENGLISH

Diogo Perestrelo, is a partner at PLMJ. The main projects on which he has advised in recent years include mergers and acquisitions in the transport, infrastructures and energy sectors, as well as private equity transactions, particularly MBOs, MBIs and buy-and-build transactions. 
He has been involved in project finance since it became popular in Portugal, having participated in several project finance transactions in areas such as road concessions, renewable energies, waters and telecommunications.

TTR: How would you describe the performance of the Portuguese M&A market from the beginning of 2017 until now? 

Diogo Perestrelo: The performance of the Portuguese M&A market is essentially characterised by “traditional” M&A transactions and, to a lesser degree, by private equity deals. A significant number of these operations arise from a clear strategy to disinvest in non-core assets or risky assets, and they are intended to consolidate the financial situations of banking institutions, funds and companies in general.

We have also witnessed other types of M&A operations involving a different type of investor, with differing locations and objectives. One example of this is the acquisition by the fund Ardian – which is Europe’s largest infrastructure fund – of Ascendi, the second largest Portuguese motorway concessions group. This clearly demonstrates that the Portuguese market has remained active, including in the context of investments with long-term objectives.

TTR: When it comes to foreign investments made in Portuguese companies, the ones that stand out most are those made by companies with headquarters in Spain, the United States and the United Kingdom. What characteristics of Portuguese companies do you think attracts the interest of foreign investors?

DP: I believe the growing interest in investment in Portuguese companies does not come so much from the characteristics of the Portuguese companies per se, but rather from the economic sectors they operate in. Tourism, technology and renewable energy are all sectors enjoying healthy expansion or consolidation, and Portuguese companies in these sectors benefit from broad and well-recognised experience. I would also mention the Startup Portugal programme, which has boosted and strengthened the international standing of Portuguese companies. Holding the Web Summit in Lisbon has also continued to bear fruit and bring greater visibility to the start-up market in Portugal and to Portuguese technology.

As a Portuguese lawyer, it is a source of great satisfaction to me to be greeted increasingly, in international professional contacts, with questions on the preferred sectors for investment and on the opportunities that are available. This is a welcome contrast with the questions I used to face the few years ago about the situation of the country in the wake of the intervention by the Troika.

TTR: Which trend would you highlight that has brought the best results in strategic terms for Portuguese companies? Which of the policies adopted may be influencing factors that stimulate investments? 

DP: Business investment decisions depend on various factors. Besides macroeconomic policy issues and the budgetary and tax framework, there are aspects of the day-to-day running of companies that contextualise and influence investment. For example, regulatory obstacles, workers’ qualifications, the capacity to select good projects, and the possibility to use new financial instruments to finance the best projects. Any policy that improves these issues will undoubtedly contribute to increasing investment, but if I had to quote just one factor, I would say that the stability of the tax framework is critical to international investors.

A piece of legislation was recently published that creates the 200M Coinvestment Fund. The aim of this new legislation is to create or capitalise companies, particularly in the start-up phase, and to promote venture capital. It is still too early to assess the practical results of the measures set out in this legislation, but we are convinced it will be an important tool to boost business activity and investment.

TTR: The real estate sector has been the motive behind M&A transactions in the market, and this trend has continued since 2015. What are the prospects for growth in this sector for the coming year? Do you think the country might be facing market saturation?

DP: It is very possible that this trend will last for a few more years, although we expect to see a slowdown in property price increases. There are segments of this market that have still not reached their full potential and this means the real estate sector still has room to grow. This growth may come either by implementing new business opportunities in partnership with the owners of vacant or under-occupied buildings in city centres, or through strategies integrated with the tourism sector that promote different regions of Portugal and consolidate decentralisation of tourism demand. We are continuing to see significant growth in the tourism sector – official data confirms that Portugal has never welcomed so many tourists as it did last year, and this sector is likely to remain on the up.

Portugal is a small country, but its telecommunication and road infrastructures are world-class. This has made it possible for new areas of the country outside the main urban centres and deep in the interior to attract real estate development.

TTR: There has been an increase in interest in Portugal on the part of private equity and venture capital investors. In your opinion, have Portuguese companies in successful seeking out these investments? What strategies do Portuguese companies favour to attract these types of investments?

DP: Access to venture capital is a real option for Portuguese companies, whether they are start-ups or companies that have already achieved some degree of maturity.

In general terms, investors can expect access to innovative projects in markets with potential for growth. They can also benefit from teams they can work with seamlessly, who have deep knowledge of the business areas they work in.

Private equity and venture capital investment has been a success case in Portugal. Companies realise that one of the most important factors to attract this type of investment is the capacity to put together a quality team with the ability to identify potential problems, then design appropriate solutions and put them into practice efficiently. Naturally, another crucial factor is the existence of a business model and access to flexible distribution channels, which allow companies to achieve significant size with the minimum capital possible.

The strategy of companies to attract these types of investments is perhaps based on two main pillars: capable teams and innovative and efficient business models.

TTR: What are your expectations for the last quarter 2017?

DP: We can expect an increase in mergers and acquisitions in the financial sector, and a continuation of the trend of sale of assets by banks and financial institutions – essentially non-core assets and risky assets. This has been a significant trend so far in 2017 and we expected to continue through the end of the year.

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Fusões e aquisições movimentam R$ 56,2 bilhões no terceiro trimestre no Brasil

Destaques dos movimentos transacionais no Brasil

  • O trimestre fecha com 267 transações, em queda, comparado ao mesmo intervalo de 2016
  • Subsetores Saúde, Higiene e Estética e Imobiliário são os que mais atraíram investimento de Private Equity
  • Conclusão da venda da Alpargatas pela J&F é a transação do trimestre

O Mercado Brasileiro

O volume de fusões e aquisições no mercado brasileiro somou R$ 56,2 bilhões no terceiro trimestre de 2017, crescimento de 1,43% no valor total investido em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Segundo o Relatório Mensal do Transactional Track Record, em parceria com a LexisNexis e TozziniFreire Advogados, foram registrados 267 negócios, com uma queda de 5,32% no período.

As 21 transações de grande porte – maiores ou igual a R$500 milhões – registradas de julho a setembro somam R$47 bilhões. O volume financeiro foi fortemente influenciado pelas operações do plano de desinvestimento da JBS, que envolveram a venda da Vigor, da Alpargatas e da Moy Park, e pelo leilão de hidrelétricas promovido pelo Governo Federal, que movimentou aproximadamente R$12,13 bilhões.

O subsetor mais ativo, mantendo tendência iniciada em 2014, foi o de Tecnologia, porém, registrou em 2017 uma retração de 18% nas operações comparado ao mesmo período do ano anterior. Já o setor Imobiliário registrou crescimento de 53% no número de transações no ano, incluindo a aquisição da REC PDC Holding Participações, sociedade de propósito específico que detém o empreendimento Torre Sucupira, edifício corporativo localizado no Complexo do Parque da Cidade, em São Paulo, por R$421,50 milhões.

Private Equity e Venture Capital

O terceiro trimestre foi um período de destaque para as transações de private equity no Brasil, tendo registrado, em comparação ao período homólogo do ano passado, aumento de 269% no valor investido em operações que movimentaram R$ 7,8 bilhões.

No acumulado do ano foram contabilizadas 62 operações, das quais 27 tiveram valores revelados que somam R$16,7 bilhões, alta de 24% sobre o volume do mesmo período de 2016.  Os segmentos Saúde, Higiene e Estética e Imobiliário lideraram os movimentos dos investidores, registrando crescimento de 33% e 50%, respectivamente.

No cenário de venture capital, o terceiro trimestre registrou leve aumento de 3% no valor investido, apesar da queda de 37% no total de transações registradas, 39. Das 131 transações registradas no TTR no ano, 68 revelaram valores que somam R$ 2,3 bilhões, alta de 44% em comparação ao período homólogo de 2016.  O setor de maior crescimento no acumulado do ano foi Distribuição e Retail (48%), enquanto Tecnologia foi o que apresentou o maior número de transações (69).

Transação TTR do Trimestre

A transação de destaque do trimestre foi a conclusão da aquisição do controle da Alpargatas, que era detido pela JBS, pelo consórcio composto por Itaúsa, Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, por R$3,48 bilhões.

Rankings Financeiros e Jurídicos

O pódio do ranking TTR de assessores financeiros por valores das transações é liderado pelo Banco Bradesco BBI, que acumulou em 2017 o valor de R$ 18,3 bilhões. Em segundo lugar aparece o Banco BTG Pactual,  alcançando R$ 17,1 bilhões, e, na sequência, o Banco Itau BBA, com R$ 15,3                                                                       bilhões. O ranking de assessores jurídicos por valor é liderado por Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados (R$ 35,4 bilhões), que também lidera por número de operações (42). Na segunda colocação está o escritório Pinheiro Neto Advogados (R$23,8 bilhões), e Barbosa, Müssnich, Aragão (R$ 16,7 bilhões), na terceira posição.

 Entrevista

Reinaldo Grasson de Oliveira, sócio-líder da área de Corporate Finance Advisory da Deloitte no Brasil, sobre o mercado de M&A no Brasil.

“…em grande parte das economias desenvolvidas ou maduras o potencial de crescimento ou desenvolvimento de novos negócios é pequeno, o que favorece países emergentes como o Brasil, ainda mais considerando o momento atual de alta liquidez na economia global. “

 

 

Dealmaker Q&A

Entrevista com Reinaldo Grasson de Oliveira

Reinaldo Grasson de Oliveira é sócio-líder da área de Corporate Finance Advisory da Deloitte no Brasil, que engloa M&A e Captação de Recursos (Debt Advisory). Possui mais de 20 anos de experiência profissional em Finanças Corporativas e M&A. Durante este período, esteve envolvido em diversos processos de fusão, aquisição, venda, joint-venture, captação de recursos, preparação de empresas para abertura de capital, estudos de viabilidade  e avaliação econômico-financeira para clientes nacionais e internacionais, tais como Hertz, Baxter, Bupa, Tredegar, Sabó, Bacardi, Omron, Robert Bosch, Cargill, Biomin, Allplas, São Paulo Feiras Comerciais, entre outros.

Reinaldo Grasson de Oliveira
Português:
TTR: Como descreveria a performance do mercado brasileiro de M&A do início de 2017 até agora? Acredita que os números possam melhorar no último trimestre?

Reinaldo Grasson de Oliveira: O ano começou com nível de transações abaixo do esperado, refletindo o cenário político e econômico, porém nos últimos meses já existem claros sinais de retomada nas operações de M&A, que tende a se intensificar no final de 2017 e início de 2018. Contribuem para esse cenário a expectativa de melhoria contínua nos indicadores da economia, o aumento dos processos de IPO’s, que em muitas situações reforçam o caixa das empresas para aquisições, e o apetite dos investidores estrangeiros e fundos de private equity.

TTR: O senhor possui vasta experiência em transações de M&A e Captação de Recursos, do seu ponto de vista, as empresas brasileiras tem tido sucesso ao buscar investidores fora do Brasil? Quais são as estratégias que estão sendo favorecidas pelas empresas para atrair investimentos?

RGO: No relacionamento com investidores estrangeiros é importante que a empresa demonstre transparência nas suas informações financeiras e operacionais, governança e reputação sólidas, e um plano de negócios consistente, partindo de seu posicionamento atual de mercado e vantagens competitivas, de modo a destacar as oportunidades que a empresa pode gerar para o investidor estrangeiro caso este decida investir no seu capital. Muitas vezes, superamos percepções de risco ao elencarmos as sinergias e o valor agregado que ambas empresas podem gerar ao combinar suas operações, e apresentando também o potencial de crescimento e consolidação do mercado brasileiro, que pode ser bem superior ao do mercado onde o investidor atualmente concentra seus negócios – em grande parte das economias desenvolvidas ou maduras o potencial de crescimento ou desenvolvimento de novos negócios é pequeno, o que favorece países emergentes como o Brasil, ainda mais considerando o momento atual de alta liquidez na economia global.

TTR: Quais modalidades de financiamento são mais utilizadas no Brasil na hora de executar operações de M&A?

RGO: A modalidade do financiamento pode variar de acordo com o tamanho da transação – importante ressaltar que o custo do capital e ausência de linhas de crédito de longo prazo a custos competitivos influenciam na decisão de como financiar uma aquisição no Brasil. Em operações de pequeno e médio porte, os compradores tendem a utilizar recursos próprios, ao passo que em operações de grande porte, além de recursos próprios, existe também a opção de complementar o funding através de troca de ações com o vendedor e emissão de títulos de dívida de médio/longo prazo. Naturalmente, opções que envolvam ações ou emissão de dívida estão disponíveis para empresas de maior porte ou listadas, e serão sempre avaliadas à luz do impacto no balanço e na estrutura de capital e societária da empresa compradora.

TTR: Qual a tendência que o senhor destacaria como a que trouxe os melhores resultados em termos estratégicos para as empresas brasileiras? Há políticas de gestão de contratos e de risco, governança, que podem ser fatores de influência para estimular os investimentos?

RGO: Das empresas que tem se destacado tem tido um foco muito grande em (i) inovação, não apenas no sentido tecnológico, mas também em termos de customização a oferta ao cliente (ii) otimização de custos e racionalização da produção, visando aumento de produtividade, o que envolve muitas vezes repensar a forma de fazer negócios (iii) realinhamento de portfolio, desfazendo-se de ativos ou linhas que não agregam valor ou não fazem parte do core business da empresa, e assim liberando recursos e capital para a empresa focar nas suas atividades principais, aumentando o retorno sobre capital investido pelo acionista (iv) instrumentos de governança que permitam aos acionistas ter transparência dos negócios e criar mecanismos de controle e mitigação de riscos, sejam riscos advindos do próprio negócio ou do mercado (nesse caso, desenvolver ferramentas de inteligência de mercado é fundamental, para acompanhar tendências e movimentos do mercado local e global, clientes e concorrentes).

TTR: Em 2017, setores como Saúde, Estética e Cosméticos, Imobiliário e Tecnologia tem se destacado nos cenários de M&A. Quais são as condições de mercado que podem favorecer ou explicar essas movimentações? Há outros setores que o senhor acredita que possam se tornar alvos de investidores nos próximos meses?

RGO: Setores ligados a demanda no mercado doméstico em geral tem se destacado, em função da retomada da confiança das famílias, com reflexo direto no consumo, que tem sido o principal motor do crescimento da economia esse ano, ao contrário do investimento. Empresas que demandam muito capital e financiamento tem enfrentado um cenário ainda difícil. Para o próximo ano, as empresas ligadas a consumo e mercado doméstico devem continuar atraindo atenção dos investidores, incluindo setores como o de saúde, educação, TI, serviços financeiros, vestuário e outros que sejam mais diretamente impactados pelo aumento de renda da população. Adicionalmente, com a melhora nos indicadores macroeconômicos, como a redução nas taxas de juros e crescimento do PIB, podemos voltar a observar maior investimento em infraestrutura e em programas de concessões e privatizações.         

Confira aqui as transações de fusões e aquisições da Deloitte no Brasil.


English: 

Reinaldo Grasson de Oliveira is the lead partner of Deloitte’s Corporate Finance Advisory function in Brazil, which comprises M&A and Debt Advisory. He has more than 20 years of professional experience in Corporate Finance and M&A. During this period, he was involved in several merger, acquisition, sale, joint venture, fundraising processes, preparing companies to go public, feasibility studies, and business valuations for national and international clients, such as Hertz, Baxter, Bupa, Tredegar, Sabó, Bacardi, Omron, Robert Bosch, Cargill, Biomin, Allplas, São Paulo Feiras Comerciais, etc.

TTR: How would you describe the performance of the Brazilian M&A market since early 2017 until now? Do you believe that the figures can improve in the last quarter?

Reinaldo Grasson de Oliveira: The year started with a level of transactions below expectations, which reflects the political and economic scenario; however, in recent months there have been clear signs that M&A transactions are being resumed and there is a trend for their strengthening in late 2017, early 2018. This scenario is being driven by the expected continual improvement of economic indicators, the increase in the number of IPOs, which often boost companies’ cash to be used in new acquisitions, and the appetite of foreign investors and private equity funds.

TTR: You have a vast experience in M&A and Debt Advisory transactions. From your standpoint, have Brazilian companies been successful in attracting investors outside Brazil? Which are these companies’ preferred strategies to attract investments?

RGO: In the relationship with foreign investors it is important for a company to show transparency in its financial and operational reporting, sound governance and reputation, and a consistent business plan, based on its current market position and competitive edge, in order to highlight the opportunities that such company could offer a foreign investor if such investor decides to invest in its capital. We often overcome risk perceptions by highlighting the synergies and added value that both companies can create by combining their operations, and also by outlining the Brazilian market’s growth and consolidation potential, which can be way higher than the potential in the market where the investor currently focuses its business—in most of the developed or mature economies, the growth or development potential for new businesses is small, which is a plus for emerging countries such as Brazil, especially in light of the current high liquidity in the global economy.

TTR: Which types of financing are the most common in Brazil when undertaking M&A transactions?

RGO: The type of financing can vary depending on the size of the transaction—it is worth noting that the cost of capital and the lack of long-term lending facilities at competitive costs influence decision making on how to fund an acquisition in Brazil. In small or medium-sized transactions, buyers usually use their own funds, while in large transactions, in addition to own funds, buyers have the option of exchanging shares with the seller and issuing medium- or long-term debt securities to supplement funding. Naturally, options that involve shares or the debt issuance are available to large or listed corporations, and are always assessed in light of the impact on the balance sheet and the capital and corporate structure of the buyer.

TTR: What is the trend that you would highlight as the trend that brought the best results in strategic terms for Brazilian companies? Are there contract management and risk and governance policies that could be investment drivers?

RGO: Companies that have stand out are greatly focused on (i) innovation, not only in terms of technology but also in terms customizing offerings to customers; (ii) cost optimization and production streamlining, aiming at increasing productivity, which often involves rethinking the way of doing business; (iii) realigning a portfolio by disposing of assets or lines that do not add value to the business or are not part of a company’s core business, thus releasing resources and capital that would allow the company to focus on its core business and increase return on capital invested by the shareholder; and (iv) governance instruments that allow shareholders to have business transparency and create control and risk mitigation mechanisms, whether business- or market-related risks—in which case, developing market intelligence tools is key to keep up with local and global market trends and movements, customers, and competitors.

TTR: In 2017, industries such as Health, Personal Care and Cosmetics, Real Estate, and Technology have been the M&A market highlights. What are the market conditions that could favor or explain these trends? Are there other industries that you believe could become the target of investors in the coming months?

RGO: Industries driven by domestic market demand in general because of the renewal of household confidence, with direct impact on consumption, which has been the main driver of economic growth this year, contrary to investment. Capital-intensive companies have been facing an even harder scenario. Next year, consumer goods and domestic market companies should continue to attract investors, including industries such as health, education, IT, financial services, apparel, and other industries that are more directly impacted by the increase of the population’s income. Additionally, with the improvement in the macroeconomic indicators, such as a decrease in interest and GDP growth rates, we could see a return of greater infrastructure investments and investments in concession and privatization programs.         

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Entrevista con Jorge López Zafra

Entrevista con Jorge López Zafra de la consultoría Llorente & Cuenca

Jorge López Zafra

TTR: Desde la óptica de una consultoría de comunicación, ¿cómo definiría la actividad de M&A en lo que va de año en España?

Jorge López Zafra: Para nuestro sector es importante que, a pesar de un ligero descenso en el número de operaciones de M&A, se haya producido un importante incremento en cuanto al volumen de inversión de esas operaciones en nuestro país. A mayor volumen de las operaciones, las compañías involucradas en un proyecto de fusión o adquisición detectan una mayor necesidad de asesoramiento en materia de comunicación. Esto es debido a que, normalmente, las operaciones de M&A de mayor tamaño desencadenan desde los primeros rumores una cascada de expectativas, pero también de temores entre los distintos grupos de interés (empleados, accionistas, inversores, reguladores, proveedores, etc…) y muchas veces provocan una considerable demanda informativa por parte de los medios de comunicación que es importante gestionar eficazmente. Valgan como ejemplo la OPA amistosa de Atlantia sobre Abertis, aún en proceso, o la fusión ya acabada de Gamesa con Siemens WP. Desde su anuncio ambas operaciones han generado un gran interés y han exigido una eficaz gestión de la comunicación.

Esperamos que en lo queda de año sigan produciéndose importantes operaciones de M&A en España debido a la mejor coyuntura económica, a la reducción de la incertidumbre, y al aumento de la inversión extranjera,  a pesar de potenciales riesgos geopolíticos.

TTR: ¿Cree que en los últimos años se ha incrementado la demanda de servicios de consultoría de reputación y/o comunicación? ¿Por qué cree que ha sido así?

Jorge López Zafra: Cada vez más las compañías entienden que una comunicación eficaz es un elemento estratégico para fusiones y adquisiciones. Las preocupaciones lógicas de los empleados por posibles ajustes, de los proveedores que ven peligrar sus contratos, la necesidad de explicar correctamente las claves de cada operación a los inversores o accionistas, de conocer las exigencias y limitaciones impuestas por los reguladores, exigen a las compañías un nivel de especialización en la comunicación muy importante. Por ello, es habitual que las compañías acudan a profesionales con experiencia en operaciones corporativas. Una de las tentaciones más habituales es intentar restringir la comunicación exclusivamente al día del anuncio o de la firma de la operación. Algo que siempre sale mal porque la atención por una operación de M&A no se centra exclusivamente en esos hitos. Gestionar la comunicación durante todo el proceso requiere especialización, experiencia y esfuerzo.

TTR: ¿Influye la estrategia de comunicación de las empresas en la efectiva realización de operaciones de M&A? ¿De qué manera?

JLZ: La comunicación influye en el proceso, gestionando las expectativas de todos los grupos de interés respecto a la operación. De esta manera, a través de la comunicación se puede crear un contexto favorable a la operación, si se gestiona bien. El mercado es cada vez más competitivo y la opinión pública cada vez más exigente, lo que obliga a las compañías a adoptar estrategias de comunicación proactivas para posicionar bien a la compañía, en lugar de simplemente reaccionar ante posibles amenazas. Las especulaciones en torno a la operación, ya sea una fusión o una adquisición, la difusión de mensajes negativos o el protagonismo de fuentes de información desconocidas juegan en contra. Una comunicación coherente, homogénea y coordinada es básica en cualquier proceso de fusión o adquisición de empresas. Es preciso para ello integrar lo antes posible a los responsables de comunicación, con los asesores financieros y legales, y de esta forma desarrollar la estrategia de comunicación más adecuada.                                                                                                                                                                                                                                                                                         TTR: Con la entrada de MBO Partenaires en el accionariado de Llorente & Cuenca en 2015 la empresa logró apoyo financiero para crecer a través de adquisiciones. Dos años después, ¿cómo han contribuido estas compañías al crecimiento de Llorente & Cuenca? ¿Diría que fue una estrategia acertada apostar por llevar a cabo un crecimiento inorgánico?

 

JLZ: Desde nuestro punto de vista, la estrategia ha resultado muy acertada: No hemos apostado por un crecimiento inorgánico, sino por intensificar el crecimiento orgánico en mercados clave para nosotros, cómo pueden ser México y Brasil, y en aquellos con mucho potencial, como Colombia. En España también nos hemos reforzado significativamente, y además hemos culminado adquisiciones exitosas en Estados Unidos, Brasil, Chile y España. El mix de ambas estrategias es lo que nos ha permitido consolidar un crecimiento de dos dígitos. Paralelamente, trabajamos muy duro para profundizar nuestras áreas e intensificar nuestra oferta multipaís en cada región, en especial nuestra oferta diferenciada en proyectos de coordinación con grandes multinacionales y multilatinas.

TTR: Llorente & Cuenca tiene una presencia notable en el mercado latinoamericano, región que cuenta con un gran potencial en materia de M&A. ¿Cómo definiría la situación actual del mercado latinoamericano? ¿Se ha notado también un incremento de la demanda de servicios de consultoría de comunicación en la región?

JLZ: Respecto la primera cuestión, América Latina sigue siendo una región muy dinámica, y es que tenemos una región a dos velocidades muy claramente marcadas en los mercados de la Alianza del Pacífico y los del Mercosur. El bloque formado por México, Panamá, Colombia, Perú y Chile sigue teniendo un gran desempeño económico y social y marca la velocidad de crecimiento del continente. Dentro del Mercosur, Argentina se está despertando y todos esperamos que Brasil salga de su crisis política para que pueda repuntar la mayor economía de la región. Esto genera muchas oportunidades para el mercado de M&A, en dónde estamos viendo cómo muchas compañías siguen entrandoen la región vía adquisiciones. Pero el fenómeno más destacable es cómo las multilatinas no solo están de compras en América Latina, sino que por primera vez en años en USA y Europa.

Sobre la segunda pregunta, claramente sí. En la sociedad latinoamericana la hipertransparencia y el poder del consumidor se han desarrollado mucho, así que comunicar más y mejor se ha vuelto clave. La reputación de las empresas en América Latina se ha vuelto más trascendente que nunca, sobre todo porque ya no basta con aparentar que eres una buena empresa, sino que además tienes que serlo, y demostrarlo. Estamos en la época de la ética y no de la estética. Por eso, cada vez más firmas cómo LLORENTE & CUENCA tenemos más trabajo.