Entrevista com José Diogo Horta Osório, sócio da firma Cuatrecasas em Portugal

Entrevista com José Diogo Horta Osório, coordenador do departamento de Direito Societário da Cuatrecasas em Portugal, sobre o balanço do mercado de M&A em Portugal em 2017.

 

Até novembro de 2017, houve em Portugal um aumento relativamente modesto no número de transações, mas expressivo nos valores envolvidos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, qual o seu balanço da performance do mercado português de fusões e aquisições em comparação a 2016?

Efectivamente em 2017 – dados de Novembro – verificou-se um aumento modesto no número de transacções, todavia, e esse é um dado mais importante, em 2017 constata-se a concretização de um crescimento sustentado e duradouro do mercado de fusões e aquisições em Portugal. Trata-se agora de consolidar este crescimento sustentado e estamos francamente optimistas de que em 2018 se irá verificar esta tendência de crescimento sustentado. Naturalmente, esta tendência terá maior incidência em sectores como energia, tecnologia, turismo, real estate e retail.

 

O senhor tem uma atuação destacada em operações no setore de transportes. Assessorou esse ano a Barraqueiro Transportes na venda da Tranporta para a CTT e na compra da Lisboat, por exemplo.  É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no setor? Quais são as tendências para 2018?

O sector dos transportes rodoviários de passageiros sofreu e ainda vai sofrer transformações por força fundamentalmente do Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de passageiros, aprovado pela Lei n.º 52/2005, de 9 de Junho. Estou convicto de que se vai assistir a um processo de consolidação no sector, o que, por seu turno, irá imprimir uma nova tendência no mercado de fusões e aquisições neste sector. As operações que refere, no entanto, estão fora do sector que referi, pois uma insere-se no sector de transporte de mercadorias e a outra na actividade de transporte turístico de “sightseeing”. As tendências para 2018 neste sector, como referi anteriormente, assentarão no necessário processo de consolidação empresarial para fazer face aos concursos públicos do serviço público de transporte de passageiros e no crescimento de aquisições no sub-sector do turismo.

 

Em 2017, o setor de Saúde, Higiene e Estética foi, até novembro, o mais ativo em transações de Private Equity, registrando um aumento de 500% em comparação ao mesmo período de 2017.  Quais são as condições do mercado hoje que favorecem ou explicam essas movimentações?

O sector de saúde, higiene e estética foi de facto um dos sectores mais activos em transacções private equity, o qual se baseia sobretudo no comportamento económico-financeiro francamente positivo das empresas target e nas estratégias dos players neste mercado de private equity do que propriamente numa tendência ou em condições específicas do respectivo mercado. Naturalmente que a disponibilidade dos bancos para financiar operações em sectores maduros, com estabilidade dos proveitos e de “ebitdas” normalmente positivos auxiliaram este aumento inusitado de transacções neste específico sector.

 

Quais transações destacaria em termos de importância e complexidade esse ano, sejam as que tenham atuado diretamente ou que contaram com a participação do Cuatrecasas?

Para além das transacções que referiu no sector dos transportes, destacaria pela sua complexidade e importância as aquisições da Vimeca, sociedade concessionária de carreiras urbanas e interurbanas na área ocidental de Lisboa, na qual assessorámos o comprador, da aquisição da Gascan pelo fundo de private equity Artá Capital e a venda da Probos ao grupo Surteco pela Alantra Capital.

 

Acredita que em 2018 possa ocorrer uma intensificação das operações de M&A? Quais cenários ou tendências já podem ser identificados, e quais setores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Estou pessoalmente convicto de que 2018 será mais um ano de consolidação do crescimento sustentado do mercado de fusões e aquisições em Portugal que se iniciou em 2016. Linhas de financiamento bancário disponíveis, taxas de juros muito reduzidas, relativa estabilidade legislativa e fiscal, equilíbrio das contas públicas e players internacionais com apetite sobre certos activos em Portugal dão sinais claros de que assistiremos a mais um bom ano de transacções de empresas. Os sectores com maior potencial de crescimento continuarão a ser real estate e retail, turismo e energia.

Portugal um aumento relativamente modesto no número de transações, mas expressivo nos valores envolvidos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, qual o seu balanço da performance do mercado português de fusões e aquisições em comparação a 2016?

Efectivamente em 2017 – dados de Novembro – verificou-se um aumento modesto no número de transacções, todavia, e esse é um dado mais importante, em 2017 constata-se a concretização de um crescimento sustentado e duradouro do mercado de fusões e aquisições em Portugal. Trata-se agora de consolidar este crescimento sustentado e estamos francamente optimistas de que em 2018 se irá verificar esta tendência de crescimento sustentado. Naturalmente, esta tendência terá maior incidência em sectores como energia, tecnologia, turismo, real estate e retail.

 

O senhor tem uma atuação destacada em operações no setore de transportes. Assessorou esse ano a Barraqueiro Transportes na venda da Tranporta para a CTT e na compra da Lisboat, por exemplo.  É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no setor? Quais são as tendências para 2018?

O sector dos transportes rodoviários de passageiros sofreu e ainda vai sofrer transformações por força fundamentalmente do Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de passageiros, aprovado pela Lei n.º 52/2005, de 9 de Junho. Estou convicto de que se vai assistir a um processo de consolidação no sector, o que, por seu turno, irá imprimir uma nova tendência no mercado de fusões e aquisições neste sector. As operações que refere, no entanto, estão fora do sector que referi, pois uma insere-se no sector de transporte de mercadorias e a outra na actividade de transporte turístico de “sightseeing”. As tendências para 2018 neste sector, como referi anteriormente, assentarão no necessário processo de consolidação empresarial para fazer face aos concursos públicos do serviço público de transporte de passageiros e no crescimento de aquisições no sub-sector do turismo.

 

Em 2017, o setor de Saúde, Higiene e Estética foi, até novembro, o mais ativo em transações de Private Equity, registrando um aumento de 500% em comparação ao mesmo período de 2017.  Quais são as condições do mercado hoje que favorecem ou explicam essas movimentações?

O sector de saúde, higiene e estética foi de facto um dos sectores mais activos em transacções private equity, o qual se baseia sobretudo no comportamento económico-financeiro francamente positivo das empresas target e nas estratégias dos players neste mercado de private equity do que propriamente numa tendência ou em condições específicas do respectivo mercado. Naturalmente que a disponibilidade dos bancos para financiar operações em sectores maduros, com estabilidade dos proveitos e de “ebitdas” normalmente positivos auxiliaram este aumento inusitado de transacções neste específico sector.

 

Quais transações destacaria em termos de importância e complexidade esse ano, sejam as que tenham atuado diretamente ou que contaram com a participação do Cuatrecasas?

Para além das transacções que referiu no sector dos transportes, destacaria pela sua complexidade e importância as aquisições da Vimeca, sociedade concessionária de carreiras urbanas e interurbanas na área ocidental de Lisboa, na qual assessorámos o comprador, da aquisição da Gascan pelo fundo de private equity Artá Capital e a venda da Probos ao grupo Surteco pela Alantra Capital.

 

Acredita que em 2018 possa ocorrer uma intensificação das operações de M&A? Quais cenários ou tendências já podem ser identificados, e quais setores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Estou pessoalmente convicto de que 2018 será mais um ano de consolidação do crescimento sustentado do mercado de fusões e aquisições em Portugal que se iniciou em 2016. Linhas de financiamento bancário disponíveis, taxas de juros muito reduzidas, relativa estabilidade legislativa e fiscal, equilíbrio das contas públicas e players internacionais com apetite sobre certos activos em Portugal dão sinais claros de que assistiremos a mais um bom ano de transacções de empresas. Os sectores com maior potencial de crescimento continuarão a ser real estate e retail, turismo e energia.

Leia mais sobre as transações de José Diogo Horta Osório aqui. 

Saiba sobre as transações do escritório Cuatrecasas Portugal aqui.

 

José Diogo Horta Osório, head of the Cuatrecasas Corporate and Commercial Practice in Portugal, discusse the year in M&A in Portugal

 

By November 2017, the increase in the volume of transactions in Portugal was relatively modest, although significant in terms of the amounts involved, when compared with the same period last year. What is your evaluation of the performance of the mergers and acquisitions market in Portugal compared with 2016?

Indeed, in 2017 (based on data in November), there was only a slight increase in the number of transactions, although what is important is that 2017 saw steady and lasting growth in the mergers and acquisitions market in Portugal. Now there is a need to consolidate this steady growth, and, frankly, we are optimistic that we will see this sustained growth trend in 2018. Of course, this trend will have a greater impact on sectors such as the energy, technology, tourism, real estate and retail sectors.

 

You have played a notable role in transactions involving the transport sector. This year you advised Barraqueiro Transportes on the sale of Transporta to CTT and on the acquisition of Lisboat, for example. Have you noted any changes or innovations in recent years relating to the transactions performed in this sector? What trends do you foresee for 2018?

The road passenger transport sector has transformed and will continue to transform, mainly due to the Legal Regime for the Public Passenger Transport Service (Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de Passageiros) approved by Act 52/2005 of June 9. I am convinced that we are going to see a consolidation process in the sector, which will in turn lead to a new trend in the mergers and acquisitions market in this sector. The transactions you refer to, however, are outside the scope of the sector I mentioned, as one involved the goods transportation sector, and the other concerned tourist transportation for sightseeing. As I said, the trends for 2018 in this sector will center on a necessary process of business consolidation to be able to compete in public passenger transport service tenders, as well as on an increasing number of acquisitions in the tourism sub-sector.

 

By November 2017, health, hygiene and beauty was the most active sector in private equity transactions, recording an increase of 500% in comparison with the same period in 2016. What are the current market conditions favoring or explaining these movements?

The health, hygiene and beauty sector has been one of the most active sectors in the private equity market, mainly as a result of the positive economic and financial performance of the target companies and the strategies of the players in this private equity market, rather than any specific trend or conditions in the market. Of course, the willingness of banks to finance transactions in mature sectors showing earnings stability and EBITDAs that are usually positive will have helped to account for the exceptional increase in transactions in this sector.

 

Which of the transactions in which Cuatrecasas has been involved directly or has participated in have been noted for their significance and complexity this year?

As well as the deals in the transport sector referred to, I highlight the complexity and significance of the acquisition of Vimeca, holder of the urban and interurban bus route concessions in the western area of Lisbon, in which we advised the purchaser; Artá Capital private equity fund’s acquisition of Gascan; and Alantra Capital’s sale of Probos to the Surteco group.

 

Do you think M&A activity will intensify in 2018? What scenarios or trends can already be identified and, in your opinion, which sectors show greatest growth potential?

I am personally convinced that 2018 will be a year of consolidation of the sustained growth in the mergers and acquisitions market in Portugal that began in 2016. The availability of bank credit lines, very low interest rates, a relatively stable legislative and fiscal environment, balanced public sector accounts and international players with an appetite for certain assets in Portugal provide a clear indication that we are going to see another good year for corporate transactions. The sectors with greatest growth potential will continue to be real estate, retail, tourism and energy.

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Relatório Anual 2017 – Portugal

Fusões e Aquisições envolvendo empresas portuguesas movimentam  11,4 mil milhões em 2017

 

  • Portugal registou 327 transações no ano
  • 127 transações revelaram valores que somam € 11,4 mil milhões
  • Investimentos de private equity tiveram alta de 53% no ano

 

 

PANORAMA DO MERCADO TRANSACIONAL

De acordo com o Relatório Anual de M&A da Transactional Track Record, os anúncios de compra e venda de participação que envolveram empresas portuguesas movimentaram € 11,4 mil milhões de janeiro a dezembro, alta de 13,58% face ao ano anterior. Foram 327 operações, representativas de um crescimento de 8,64% em comparação ao reportado em 2016.

O segmento Imobiliário teve forte influência no volume financeiro do ano, aparecendo como o mais ativo do período, com 66 operações registadas, uma alta de 32%, seguindo tendência que se repete desde 2015. O destaque negativo fica para a queda de 6% nas transações do sector Financeiro e Seguros, que encerrou o ano com 33 operações.

 

PRIVATE EQUITY E VENTURE CAPITAL

Os anúncios de investimentos realizados por firmas de investimento de private equity tiveram destaque em 2017. Foram contabilizadas 43 operações no período, um aumento de 19% em relação ao ano precedente. Destas, 16 transações revelaram valores que somaram € 5,6 mil milhões, um incremento de 53%. O subsetor Saúde, Higiene e Estética foi o alvo preferido dos fundos, totalizando seis operações.

Já o cenário de venture capital teve em 2017 um ano de pouca expressividade, com investimentos na ordem de € 92 milhões, representativos de uma queda de 3% no total aportado e de 24% no número de operações, 29 no ano. Tecnologia, 16 operações, e Internet, seis, foram os segmentos que mais atraíram o apetite dos investidores, apesar de ter sido registada queda de 30% e 40%, respetivamente.

 

CROSS-BORDER

Em número de operações cross-border, o mercado português somou 116 operações inbound, em que empresas portuguesas foram adquiridas por companhias estrangeiras.  Ao longo do ano, o país que mais efetuou transações em território nacional foi a Espanha, que adquiriu 33 empresas, em investimentos que chegaram a € 965 milhões. O Reino Unido ultrapassou, assim como a Espanha, os Estados Unidos em números de transações, foram 14 contra as 13 estadunidenses, representativas de uma queda de 31,58% do interesse das empresas dos EUA por Portugal.

As aquisições de empresas estrangeiras nos subsetores de Tecnologia e Internet tiveram alta de 23,08% em comparação com 2016. Já o setor Imobiliário foi o mais ativo, seguido por Tecnologia e Financeiro e Seguros.

No que diz respeito a transações cross-border outbound, registaram-se um total de 19 operações por empresas nacionais, das quais sete tiveram como objeto a aquisição de empresas em Espanha.

 

TRANSAÇÃO DO TRIMESTRE

A transação destacada pela Transactional Track Record no último trimestre do ano foi a conclusão da venda da refinaria de petróleo portuguesa Artlant PTA pela Caixa Geral de Depósitos para o grupo de origem tailandesa Indorama, pelo valor de € 28 milhões.

A Artlant produz ácido tereftálico purificado, a matéria-prima utilizada para a produção de politereftalato de etileno, componente base no fabrico de embalagens de plástico para uso alimentar.

A Indorama foi assessorada na transação pelo escritório jurídico Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, enquanto Linklaters Portugal prestou assessoria à Caixa Geral de Depósitos.

 

Entrevista Rodrigo Delboni Teixeira, sócio do Lobo de Rizzo

Rodrigo Delboni Teixeira, sócio-diretor do Lobo de Rizzo Advogados, fala com o TTR sobre o mercado brasileiro de fusões e aquisições em 2017.

 

Como descreveria a performance do mercado brasileiro de M&A em 2017?  

Dadas as condições políticas e econômicos, entendo que foi um ano bastante positivo para o mercado de M&A. Pudemos notar a volta do interesse do investidor estrangeiro por ativos brasileiros e o próprio mercado de capitas experimentou retomada, com novas ofertas iniciais de ações por companhias brasileiras.

 

O senhor possui vasta experiência nos setores Alimentar, Transportes, Aviação e Logística e Educação, que estiveram entre os mais ativos do ano. Como vê as tendências e expectativas para esses setores em 2018? Até que ponto a instabilidade política brasileira tem influenciado os investimentos nessas indústrias?

Acredito que estes setores continuarão a atrair investimentos no próximo ano. Inegavelmente, a instabilidade política traz receios e refreia o ímpeto de alguns investidores, mas temos visto que, mesmo nestes anos mais difíceis, os grandes grupos internacionais continuam com seus olhos voltados ao Brasil. Estes grupos têm um horizonte de investimento de longo prazo e conhecem o potencial de um mercado de mais de 200 milhões de habitantes.

Fusões e Aquisições tem sido largamente utilizadas no setor de Educação como estratégia de crescimento e de expansão no cenário nacional, sendo um mercado que encontra-se aquecido, seguindo um movimento de consolidação no setor. É possível reconhecer alterações ou inovações nos últimos anos em relação às transações realizadas no setor?

Houve um forte movimento de aquisições na última década no setor de ensino superior, com a criação de grandes grupos nacionais. Os setores de ensino de idiomas e sistemas de ensino para escolas também apresentaram forte movimento de transações. Acredito que, em setores mais consolidados, o foco das aquisições passe a ser mais em acréscimo de qualidade do que em crescimento propriamente dito. Não obstante, a área de Educação é muito ampla e devemos ver transações em outros setores. O setor de ensino fundamental e médio (colégios), por exemplo, deve atrair bastante atenção nos próximos anos.

Quais transações destacaria em termos de importância e complexidade esse ano, sejam as que tenham atuado diretamente ou que contaram com a participação do Lobo de Rizzo?

Eu destacaria as principais transações que acabamos divulgando no próprio TTR, como Odebrecht Transport,CargillBurger KingDöhlerState Power Investment (SPIC)CentrofloraThyssenkruppDHLPorta dos Fundos,ItaúsaPearson e Coca-Cola.

 

Quais são suas expectativas para o mercado de M&A brasileiro em 2018? Quais cenários ou tendências já podem ser identificados, e quais setores possuem, na sua opinião, maior potencial de crescimento?

Embora seja um ano de eleições, que traz mais incertezas aos investidores, espero que seja um ano positivo para o mercado de M&A no Brasil. As recentes notícias econômicas são mais animadoras, como queda da inflação e aumento da perspectiva de crescimento do PIB. Caso consigamos avançar com a reforma da previdência, o cenário para investimentos será ainda mais positivo. Ademais, como mencionado, há grandes grupos que olham o Brasil no médio e longo prazo e não deixam de aproveitar oportunidades de investimentos. Além dos setores já citados, acredito que o setor de saúde (não somente clínicas e hospitais, mas também atividades correlatas como distribuição de produtos e equipamentos médicos) pode surpreender positivamente. Este setor tornou-se mais aberto ao investidor estrangeiro recentemente e tem um grande potencial de crescimento e consolidação que, a meu ver, ainda não foi explorado em razão dos recentes anos de crise econômica.

 

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Rodrigo Delboni Teixeira, managing-partner at Lobo de Rizzo Advogados, talks to TTR abour the results of the M&A market in Brazil in 2017.

How would you describe the performance of the Brazilian M&A market in 2017?

Given the political and economic conditions, I understand it was a very positive year for the M&A market. We noticed renewed interest of foreign investors in Brazilian assets and the capital market itself is recovering, with new initial public offerings by Brazilian companies.

You have considerable experience in the industries of Food, Transportation, Aviation, Logistics and Education, which were among the most active industries this year. What are the trends and expectations for such industries in 2018? How much has the Brazilian political instability influenced investments in those industries?

I believe such industries will continue to attract investments next year. There is no denying that political instability causes concerns and holds back investors, but we have witnessed that, even in difficult years, large international groups are still interested in Brazil. Those groups have a long-term investment horizon and they know the potential of a market of more than 200 million inhabitants.

 

Mergers and acquisitions have been widely used in the Education sector as a growth and expansion strategy in the domestic scenario, seeing it is a booming market, which follows a consolidation trend in the industry. Is it possible to recognize changes or innovations in the past years regarding transactions in the industry?

There has been a strong acquisition trend in the last decade in the higher education sector, with the creation of large Brazilian groups. The language teaching sector and teaching systems for schools have also shown an increasing transaction trend. I believe that, in more consolidated industries, the focus of acquisitions will be increasingly aimed at quality instead of at growth itself. Nevertheless, the Education area is extremely wide and we should see transactions in other sectors. The primary and secondary school (high school) sectors, for example, should attract considerable attention in coming years.

 

Which transactions would you highlight in terms of importance and complexity this year, whether by having a direct role or by having the participation of Lobo de Rizzo?

I would highlight the main transactions we disclosed in the TTR, such as Odebrecht TransportCargillBurger KingDöhlerState Power Investment (SPIC)CentrofloraThyssenkruppDHLPorta dos FundosItaúsaPearson and Coca-Cola.

 

What are your expectations for the Brazilian M&A market in 2018? What scenarios or trends can already be identified, and which sectors have, in your opinion, the greatest potential for growth?

Although this is an election year, which brings more uncertainties to investors, I hope it will be a positive year for the Brazilian M&A market. Recent economic news stories are encouraging, such as the drop in inflation and promising outlook for GDP growth. If we are able to make progress with the pension reform, the investment outlook will be even more positive. Furthermore, as I have mentioned, there are large groups looking at Brazil in the medium and long term and they do not fail to seize investment opportunities. In addition to the industries already mentioned, I believe the health industry (not only health care facilities and hospitals, but also related activities such as distribution of medical products and equipment) may surprise us positively. This industry has become more open to foreign investors recently and has a large growth and consolidation potential that, in my opinion, has not been explored yet due to the recent years of economic crisis.

Leia sobre as transações de Rodrigo Dalboni Teixeira aqui.

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Relatório Anual – Brasil 2017

Fusões e aquisições movimentam R$195 bilhões em 2017

 

  • País soma 1096 transações em 2017, alta de 5,69% em relação a 2016
  • 483operações revelaram valores que chegaram a R$ 194,93 bilhões, alta de 4,4%
  • Investimento de Private Equity e Venture Capital em alta no país

Os anúncios de compra e venda de participação envolvendo empresas brasileiras movimentaram, ao longo de 2017 R$194,93 bilhões, o maior valor acumulado desde 2013. De acordo com o Relatório Anual da Transactional Track Record, em parceria com a LexisNexis e TozziniFreire Advogados, foram registradas 1096 transações, de janeiro a dezembro, alta de 5,69% em comparação ao reportado no ano passado. Destas, 483 tiveram seus valores revelados, totalizando um crescimento de 4,4% ante o total de transações de 2016.

Apesar de ter registrado queda de 13%, o segmento de Tecnologia foi o mais ativo do ano, seguindo tendência que se mantêm desde 2014, contabilizando 186 transações no período. Em seguida, aparecem os setores Financeiro e Seguros, 112, e Distribuição e Retail, 103, que apresentaram declínio de 16% e 6%, respectivamente, enquanto o setor Imobiliário foi o de maior crescimento no ano, 48% devido às suas 98 operações.

 

Private Equity

O volume financeiro das operações de private equity registradas no Brasil em 2017 foi de R$ 20 bilhões, alta de 44% no valor aportado em relação a 2016, apesar de queda de 8% no número de operações registradas, 90.

No subsetor Distribuição e Retail, que lidera os investimentos da modalidade desde 2015, houve redução de 24% no número de transações no ano.

A tendência de investimentos nos subsetores Saúde, Higiene e Estética e Imobiliário permanece – foram os favoritos dos fundos e registraram respectivo crescimento de 71% e 80%.  O setor Elétrico também passou a receber mais aportes dos fundos de Private Equity, e cresceu 300% no ano.

 

Venture Capital

No cenário de venture capital, 2017 foi um período de forte crescimento. Das 181 transações registradas no TTR, 94 revelaram valores que somam 3,07 bilhões de reais, alta de 54% em comparação ao ano precedente. Os investimentos em venture capital em 2017 ultrapassaram os valores investidos no Brasil nos quatro anos antecedentes.

Os subsetores mais atrativo foi Tecnologia, 97 operações registradas e crescimento de 8%. Em seguida,  Internet, com 44 deals, mas que fechou o ano com queda de 46%, em um movimento contrário aos subsetores Financeiro e Seguros (25), alta de 108%, e Distribuição e Retail, 69%.

 

Mercado de Capitais

O mercado de capitais brasileiro voltou a ter um ano expressivo e registrou 11 IPOs em 2017, quase o dobro dos três últimos anos somados, movimentando mais de R$ 20 bilhões. Destaque para a estreia na bolsa da BR Distribuidora, que superou o valor de R$ 5 bilhões, e do Grupo Carrefour Brasil, que chegou a R$ 4,9 bilhões.

As emissões de ações também tiveram um ano positivo, apesar da queda no número de operações em relação a 2016, de 25 para 22, mas que movimentaram R$ 26 bilhões em 2017,  mais do que o dobro do ano anterior, R$ 12 bilhões.

 

Operações cross-border

Os Estados Unidos seguem como o país com o maior número de aquisições no mercado brasileiro, com 87 operações que alcançaram R$ 19 bilhões em investimentos, uma retomada de 3,57% no crescimento em relação ao ano anterior. A segunda posição, em volume total de investimentos, fica com a China, que acumulou R$ 12,2 bilhões em 2017, com destaque para o apetite chinês no setor de energia elétrica.

Em número de operações, França aparece atrás dos EUA, com 21 operações que somaram R$5 bilhões, seguida pelo Reino Unido, 13 transações, em sua maioria de pequeno porte que movimentaram R$ 230 milhões.

Desde 2010, as empresas brasileiras que mais atraem investimentos estrangeiros são as empresas do segmento de Tecnologia e Internet. Em 2017, foram registradas 47 transações, porém com queda de 16,07% em relação ao ano anterior.

O setor de Tecnologia foi aquele que mais recebeu aporte de empresas estrangeiras ao longo do ano. Destaque também para os setores Elétrico e de Consultoria, Auditoria e Engenharia.

No âmbito outbound, destaque para os investimentos de empresas brasileiras realizados nos EUA, 12 operações que juntas somaram R$ 542,29 milhões. A vizinha Argentina também foi alvo dos investidores brasileiros, que aportaram R$ 433,55 milhões em 9 operações.

 

América Latina

Os resultados de 2017 também consolidam a liderança brasileira no cenário latino-americano de fusões e aquisições. De janeiro a dezembro, foram contabilizadas 752 transações domésticas no mercado nacional, enquanto o México, país que apresentou o segundo melhor resultado no quesito, registrou 116.

Também se destacam os números de aquisições cross-border inbound no país, 236, mais do que o dobro das transações dessa modalidade registradas pelo México (95). Entretanto, o mercado mexicano fechou o período com 61 aquisições cross-border outbound, enquanto o mercado brasileiro encerrou o período com 43.

 

Ranking Assessores Financeiros e Jurídicos

O ranking do TTR de assessores financeiros por valores das transações chega ao fim de 2017 liderado pelo Banco Itaú BBA, tanto em número de transações, 36, quanto em valor transacionado, R$ 22,5 bilhões. Em segundo lugar aparece o Banco BTG Pactual, R$ 21 bilhões, e, na sequência, Banco Bradesco BBI, R$ 19,7 bilhões.

Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados está no topo do ranking da TTR de operações de fusões e aquisições assessoradas por escritórios de advocacia, por valor total de transações, tendo totalizado R$ 43,1 bilhões. O escritório é líder também por número de operações, 62. Na segunda colocação está o escritório Pinheiro Neto Advogados, R$ 24,4 bilhões, seguido por Barbosa Müssnich, Aragão, 21,3 bilhões.

Insight da transação do mês no Brasil

Pinheiro Guimarães fala sobre a sua participação na Transação do Mês

O TTR destacou a conclusão da aquisição das operações de varejo do Citibank Brasil pelo Banco Itaú Unibanco como a transação do mês de novembro. O negócio, avaliado em mais de 710 milhões de reais, contou com a assessoria dos escritórios Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados e Wachtell, Lipton, Rosen & Katz, e financeira do Banco Itau BBA do lado da entidade compradora.

Por sua vez, o Citibank Brasil e o Citigroup receberam assessoria jurídica do Pinheiro Guimarães Advogados e Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom US. O Citigroup também foi assessorado pelo Citigroup Global Markets Brasil.

Como um dos escritórios escolhidos pela parte vendedora para assessorar na transação, o Pinheiro Guimarães fala ao TTR sobre a sua participação no deal e sobre quais foram os maiores desafios dessa operação.

“O principal desafio foi estruturar uma operação em que apenas parcela dos negócios do Citibank seriam transferidos ao Itaú Unibanco, de uma forma aceitável aos órgãos reguladores e garantindo a imprescindível segurança aos clientes, fornecedores e ao mercado em geral.

A operação está sendo feita em etapas, de modo que (i) primeiramente, foi realizada a transferência dos negócios de varejo bancários, de cartões de crédito e da corretora de seguros; (ii) em seguida, foi realizada a transferência dos negócios de varejo da corretora de valores mobiliários; e (iii) por último, será realizada a transferência das ações de Tecban e Cibrasec, que está aguardando o transcurso do prazo de exercício do direito de preferência dos demais acionistas.

De forma de acomodar as preocupações acima, as partes realizaram a transferência dos ativos e passivos por meio de cisão (i) do Banco Citibank S.A. para o Itaú Unibanco S.A., no caso dos ativos e passivos bancários, e para o Banco Itaucard S.A., no caso dos ativos e passivos de cartões de crédito; e (ii) da Citi CCTVM S.A. para a Itaú Corretora de Valores Mobiliários S.A., no caso dos ativos e passivos de corretagem de valores. A Corretora de Seguros foi transferida por meio de transferência da totalidade das ações de emissão da sociedade pelo Banco Citibank S.A. para sociedade do conglomerado do Itaú Unibanco.

Assim, a estrutura da operação foi única em relação às demais operações de fusões e aquisições de instituições financeiras realizadas no Brasil, pois foi implementada por meio de cisão parcial de modo a preservar a presença do Citi no Brasil, o qual permanece com forte atuação no segmento corporativo. Outra importante etapa foi a discussão de questões concorrenciais com os órgãos reguladores, tendo em vista os níveis de concentração existentes atualmente no setor financeiro brasileiro.

O Pinheiro Guimarães assessora o Banco Citibank no Brasil há muitos anos, tendo sido o assessor escolhido para todas as operações relevantes que o Citi realizou desde que iniciou suas atividades no Brasil. Dessa vez, fomos escolhidos novamente para assessorá-los nessa operação de extrema relevância estratégica para o Citi.”

Leia acerca do mercado M&A brasileiro no mês de novembro aqui.